Tudo o que pensamos, vivemos, sentimos, queremos.

8 de agosto de 2011

Adiaforia.

Vez ou outra, me pego apegado ao supérfluo
Quase sempre, estou agarrado ao fugaz
Tendo em vista que desta vida nada levo
Sim, me apego ao que a vida sempre traz.

Não, não sou indiferente ao que é efêmero
E certo é que a efemeridade pecado não é
Pecado é deixar passar o que é bom
E os erros que, de fato, controem a vida do jeito que é.

Os que, pomposamente, rejeitam os erros
Não saberá viver de maneira correta
Pois é com eles que aprendemos ter acertos
E é errando que se vive de forma esperta.

Certamente nunca aprenderemos a viver
A cada minuto, nova forma de viver se nos apresenta
Assim, o inusitado sempre nos é mister
Para que se viva de forma boa, feliz e bela.

O escritor, como já deves ter percebido, é péssimo em rima
Mas já que comecei, prometo-lhes terminar
Só venho dizer que vivam a vida
Mas vivam-na toda, até acabar.

Cleison Brugger

31 de julho de 2011

Momentos.

Ultimamente, encontro-me cansado. Cansado das conquistas alheias, dos sorrisos dos outros, da felicidade estampada na cara de todo mundo. Dá a maligna vontade de perguntar: "Pra quê tanto riso? não vês que o mundo chora?"

Cansado de regras, de leis, de decretos. Cansado de tentar ser bom e moralista e cumprir, todos os dias, uma tabela do "pode isso - não pode aquilo". Cansado de rir sem alegria, ou a forçação de chorar quando não se tem lágrima. Cansado de ser bobo. Quero ser mais sério, mais rústico, mais contido. De tão bobo que tenho sido, me pergunto se isto é inerente a mim ou é alguma façanha pessoal que tente me enturmar com o resto do mundo.

Sinto-me cansado de sempre ter que ser o baluarte, a escora dos outros. Quero ser vítima, ter lamentos e chorar. Quero ficar num canto e pensar, prantear por um pouco, mesmo que o motivo disto seja alheiamente incoerente e fugazmente passageiro.

Estou cansado da teoria sem prática, do falar sem viver, das paixões em palavras e da passividade dos atos. Na verdade, muito falo e muito ouço, mas pouco sinto; minha alma se sente pobre de abraço, de carinho, de aperto de mão sincero, de olhares elogiosos ou de gestos que transmitam paz.

Cansado da falsa espiritualidade, da hipocrisia dos risos, da falsidade das gargalhadas e da lascividade dos olhos. Sinto falta da sinceridade, da pureza, da espontaneidade. Muitos têm sido tão outra pessoa, que fico a imaginar quem eles vêem quando se olham em espelhos.

Cansado do monotonismo, daquilo que nunca muda, nem sofre alteração. Porque o ano só tem doze meses? doze é muito pouco! acaba janeiro, vem fevereiro, dá-le dezembro, e vamos tudo de novo, novamente!

Alguém me recomendaria a morte como solução de todo este cansaço. Mas aí, responderia: "Não vês que isso é coisa de momento, que vem e logo passa? não vês que a vida é o melhor remédio para aliviar os estresses que ela mesmo traz? não vês que amanhã tudo pode ser diferente?". Depois de responder a objeção que me foi feita, paro pra pensar na resposta e percebo que, embora tudo o que escrevi é verdadeiro aos meus olhos, isso passa e as coisas podem sim melhorar.

Cleison Brugger

29 de julho de 2011

Si mesmo.


E o meu desejo é não ser o assunto alheio.
E que não fale de mim, mas fale de si mesmo.

Observe a si mesmo, e nesse ato não é necessário que seja observado apenas os defeitos, observe suas qualidades. Veja como e quando você é bom em algo. Mas, claro, com o cuidado de não deixar de ter uma visão de seus defeitos.

Duvide de si mesmo, duvide se seria capaz de fazer alguém sofrer por querer. Seria?

Critique a si mesmo; e isso é importantíssimo, só criticando a si mesmo que é possível ver onde pode consertar afinal você não nasceu com defeitos só para que todos pudessem ver que você não é perfeito, mas sim pra aprender com os mesmos e assim procurar evoluir sozinho.

Ria de si mesmo. Porque não? Rir pra si mesmo é mostrar à vida uma necessidade de ser feliz mesmo que em seu quarto sozinho olhando no espelho. Apenas ria.

Então, seja você mesmo quando estiver chorando, rindo, duvidando e observando. 

E rir meu riso e derramar meu pranto.* 

Anne Albuquerque

*citação de Vinícius de Moraes