Tudo o que pensamos, vivemos, sentimos, queremos.
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16 de janeiro de 2012

Um amor que jamais acaba

Ah, o namoro! Que fase bonita! um casal de namorados são comparados a um casal de pardais. Se entreolham, se abraçam, se amam. Há uma reciprocidade na relação de dificil comparação. Realmente, é um privilégio quando se acha a "cara metade".
Quando namoramos, ansiamos pelo momento em que encontraremos nossa paixão. Existem namoros (os mais conservadores, digamos), onde os namorados só se vêem aos sábados, ou as Quintas, ou seja, um dia apenas na semana. Quando o dia marcado se aproxima, ficamos num estado de êxtase. Queremos porque queremos ver aquele que amamos. Quando o momento acaba, parece que passamos um tempo menor do que o esperado e ficamos desolados. Isso acontece porque o relacionamento está atado pelos laços do prazer e do amor. É bom estar com a pessoa amada, por isso, queremos o casamento: queremos estar cada vez mais perto daquele(a) que amamos.

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. ( Marcos 12.30)

Quão grande pecado é quando valorizamos estas coisas mais do que Deus. Muitos de nós dizemos que amamos a Deus, mas nossa vida diária, nossos desejos, paixões e prioridades revelam o completo oposto. Parece que falar com Ele é intediante e, por isso, reservamos pouco tempo para a oração. Para não sermos injustos, oramos antes de dormir para não sermos taxados de "mal agradecidos". A leitura bíblica também é chata. Não há prazer em ouvi-lo falar. Meditar nas Escrituras? ora, eu até li, mas não prestei muita atenção. O jejum se tornou uma prática obsoleta e extinta, embora frequentemente requeremos alguma "prova de amor".

Amar de lábios não é amor. Quando, de fato, amamos, queremos provas deste amor. Os que, de verdade, amam a Deus, como Paulo consideram "tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer Jesus Cristo, meu Senhor" (Filipenses 3.8). Quando temos a Deus, até podemos amar outras coisas, mas não amamos nada mais do que a Deus, porque Ele é a realidade mais impressionante do Universo e o Tesouro pelo qual daríamos as nossas vidas para ter. Quem ama a Deus não acha que o "Orai sem cessar" (1Ts. 5.17) é um exagero. Na verdade, eles não sossegam enquanto não oram. E se não podem orar, emudecem. E quando podem orar, dizem: "Doce hora de oração!". Orar para os que amam a Deus não é uma obrigação moralista, e sim, um prazer que flui do amar ao Senhor. Amar a Deus acima de tudo é amá-lo mais que a nossa própria vida! é considerar tudo como perda e Cristo como ganho! é dizer para Deus: "Senhor, lembra de como eu sou feliz quando estou com meu namorado, mesmo depois de passar longos dias sem vê-lo? então, tudo aquilo é NADA, comparado ao prazer que tenho em Ti!"

Cantar que "Não temos outro bem além do Senhor" é coisa séria! implica afirmar com a nossa vida que até aquilo que consideramos mais prazeroso, somos capazes de abandonar, se isso afetar nossa relação com Deus. O salmista disse: "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (Salmo 16.11). Me responda: existe algo mais pleno que a plenitude? me responda novamente: há algo mais perpétuo que perpetuamente? então, são exatamente estas as palavras que o salmista usa para expressar quão valiosa é a presença do Senhor, é o estar com Ele, é o tê-Lo acima de todas as coisas. De fato, ninguém consegue oferecer mais do que o Senhor. Os prazeres deste mundo passa, mas a alegria que vem de Deus, é plena e perpértua. Ninguém oferece mais do que o Senhor!

Vem provar do amor que Ele tem ♫

Paz à você,
Cleison Brugger.

24 de dezembro de 2011

Mais que nascimento, REDENÇÃO!

"Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o SENHOR" (Lucas 2.11).
 Nunca, em nenhum momento da história, o nascimento de alguém fora tão aguardado e esperado. Séculos antes de seu nascimento, já havia sido profetizado o local em que ele haveria de nascer (Mq. 5.2), já havia sido predito que uma virgem lhe conceberia e seu nome seria Emanuel ("Deus conosco" ou "Deus entre a gente", Is. 7.14). De fato, Jacó disse a Judá que o reinado estaria em suas mãos, "Até que viesse Siló" (Gn. 49.10), ou "aquele a quem, de fato, pertence o governo". Embora Davi fosse da tribo de Judá, viria um, também desta tribo, mais excelente que Davi. Quem seria este? Lucas, na narrativa do cap. 2, declara: "Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor". Este que estava nascendo, o Cristo, era o cumprimento da profecia de Gênesis 3.15, em que Deus diz que, da semente da mulher, viria um que feriria a cabeça da serpente, isto é, a Satanás. De fato, o Cristo veio para assumir o reinado; Ele é o "Leão da Tribo de Judá" (Ap. 5.5).

Mas o ponto onde muitos erram, é prender o Cristo para uma época específica, um lugar específico, um advento específico. É importante celebrarmos o nascimento de Cristo, mas o que não podemos fazer é limitá-lo a este evento. Ele não veio apenas para nascer e ficar mundialmente reconhecido porque uma estrela pairou sobre o lugar onde ele havia nascido. Pelo contrário, o nascimento é o começo da mais importante história da humanidade. É o início de um grande acontecimento que, ainda hoje, afeta a maneira como vivemos, pensamos e cremos. No nascimento começa, não termina.

A grande verdade é que, naquela noite, no pequeno vilarejo de Belém Efrata, Deus estava enviando Seu Filho. Cristo, o Filho de Deus, estava vindo à terra em condição humana. Em Filipenses, leremos que "embora sendo Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas rebaixou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um Nome que está acima de todo o nome, para que, ao Nome de Jesus, se dobre todo o joelho e toda lingua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Fp. 2. 6-11). Esse é um dos textos mais impressionantes e maravilhosos do NT. De fato, Cristo veio ao mundo: 1) glorificar o Pai; 2) satisfazer a justiça de Deus; 3) salvar homens pecadores (eu, você, nós!) 4) reconciliar-nos com Deus 5) Livrar-nos da justa ira de Deus etc. O Filho de Deus fez-se homem (gr. Teantropos, Deus e homem, numa mesma substância), a fim de redimir os que estavam em trevas e trazer para sua maravilhosa luz.

Por isso, que o Natal sirva para que você, ao olhar para a manjedoura, consiga fitar seus olhos diretamente na cruz. A manjedoura existe por causa da cruz, e não o contrário. A morte é, sem dúvida, mais importante que o nascimento, mas consideramos que, sem nascimento, não haveria sequer morte. Por isso, comemoramos  a ENCARNAÇÃO de Cristo (esse é o real motivo de comemoração dos critãos), pois ao vê-lo nascendo, percebemos que Ele nos amou, pois "fez-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp. 2. 7-8).

Que o Cordeiro que foi morto receba a recompensa de seus sacrifícios. Solus Christus!

Feliz Natal com Cristo,
Cleison Brugger

13 de outubro de 2011

Olhem para as crianças.

Uma angústia no íntimo. Um desejo de abandonar as afeições. Não suporto o fato de maquiar tristeza com um sorriso. Se você é falso a este ponto, parabéns! só um grande artista consegue esta proeza. Ultimamente, meus pensamentos têm entrado em conflito. No que crer, no que ser, como ser... o que amar, a quem amar, como amar...

Sinto falta de atos. Cansei das palavras. Nossa gente fala demais e isso me dá náuseas. Ao invés de dizer amor, porque não amar sem dizer? ao invés de dizer por trás, porque não damos as mãos e dizemos: "não me importa suas falhas, pois também as tenho, talvez mais que você"?

Na verdade, o que sinto é carência. Carência de sinceridade. Hoje tudo é tão falso, que de vez em sempre me convenço que o planeta em que vivo é postiço. Há tanta superficialidade, tantos risos na fronte e tanto ódio por detrás... e o pior é que quem faz estas coisas não é um cara que você conhece de vista, mas muita das vezes amigos, pessoas que você estima acima de qualquer suspeita. É estranho viver num mundo onde os semelhantes se acham superiores. É difícil viver numa esfera de indiferença e falsidade, quando as pessoas se parecem e a única coisa que os diferencia é a cor. Temos a mesma origem. Temos um mesmo destino. Todos viemos de ventres maternos. Todos iremos ao seio da morte.

Já parou para pensar que as coisas que julgamos boas, às vezes cansam? afagos cansam, elogios cansam, abraços cansam, rir cansa, palavras cansam. Mas o que não me cansa é a sinceridade. Pois para mim (e, creio, para você) afagos sinceros, elogios sinceros, abraços sinceros, risos sinceros e palavras sinceras jamais cansarão. Percebe que se as coisas fluirem pelo canal da sinceridade, as outras coisas poderão não ser tão intediantes como, por incrível que pareça, podem vir a ser?

Por isso gosto de crianças. Elas são sinceras. Um riso de criança é bonito (mesmo que faltem os dentes da frente), porque é sincero. Dá prazer de ver crianças brincarem porque há sinceridade. Me emociono com um beijo um ou abraço de uma criança, porque é a forma mais autêntica de sinceridade. Não é à toa que o Mestre ensinou: "sejam como crianças, elas têm muito a ensinar a vocês, raça de víboras!", que destilam veneno pelo prazer, sem se importar se a presa viveu ou morreu. Que tempos os nossos!

BRUGGER, Cleison.

25 de agosto de 2011

O rosto de Deus


  "Faze com que a luz do teu rosto brilhe sobre nós" - Salmo 4.6b

O rosto de Deus reflete glória, majestade, beleza, esplendor, bondade, magnitude, amor, mas também reflete ira, furor, ódio e impetuosidade, tudo isto numa mesma intensidade. Se o amor de Deus é plenamente abundamente, também o é sua ira; se a afeição de Deus é perfeitamente ampla, também o é seu furor. Quando as Escrituras dizem que "Deus é amor" e que  "Deus é ira", está nos mostrando que Deus é plenamente abundante em todos os seus atributos. Deus não é mais amor do que ira e vice-versa. Se Deus é perfeito, então todos os seus atributos também o são, sem tirar, nem por. Só existe uma diferença entre um e outro: o Seu amor dura para sempre (Sl. 136.1), mas a Sua ira, dura só um momento (Sl. 30.5). Contudo, a mesma disposição que temos em receber o amor do Eterno, não tenhamos em receber Sua ira. Tal qual um Sol que da calma manhã até o crepúsculo do dia, raia com sua imponência, assim é o amor e a ira de Deus: faz toda a diferença se você sente o raiar do Sol às 9 da manhã, do que às 3 horas da tarde. É o mesmo Sol, numa mesma intensidade (ele não é mais Sol à tarde do que de manhã), só muda o período.

Enquanto pecadores e, por natureza, filhos da ira (Ef. 2.3), o nosso clamor a Deus é: "esconde a tua face dos meus pecados" (Salmo 51.9b), pois "o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles" (Sl. 34.16-NVI) e ainda "os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal" (IPd. 3.12). A face do Senhor é santa e, por esta razão, o pecador não consegue olhar para ela. Diante da face do Senhor, os homens tremem (Ez. 38.20).
Mas quando somos atraídos a Cristo pelo Pai (Jo. 6.44) e, assim, cremos e confessamos acerca de Jesus: " Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" ( Mt 16.16), o Espírito Santo comunica ao nosso coração para que possamos ter condições de olhar para a Face de Deus: "Quando tu disseste: Buscai o minha face; o meu coraçäo disse a ti: A tua face, SENHOR, buscarei" (Sl. 27.8).

A partir disto, passamos a ter prazer na santa face de Deus e conseguimos olhar para ela, pois para os salvos "na luz do rosto do rei está a vida" (Pv. 16.15) e, por isso, clamamos como Davi: "faze a luz do teu rosto brilhar sobre nós" (Sl. 4.6b), pois da luz do rosto de Deus emana vida, glória, graça, beleza, virtude e tudo o que é santo, bom, belo e agradável.  Assim como a intensidade do Sol é a mesma, mas fará diferença se olharmos para o Sol às 7 da manhã e às 3 da tarde, assim a intensidade do rosto de Deus é a mesma, mas enquanto os pecadores dizem: "afasta de nós o Teu rosto", os santos clamam: "faze brilhar sobre nós a luz da Tua face". O sol é apenas uma pequena faísca comparado ao brilho do nosso Redentor.

"E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece" (Ap. 1. 13-16).


Preparemo-nos para encontrá-Lo face a face (ICo. 13.12), tal como Moisés O viu (Ex. 33.11).


Cleison Brugger

27 de julho de 2011

O caminho.

Desde o gênese, fui instado a percorrer um caminho a qual que não precisei de búsula precisa para encontrá-lo, pois eu mesmo o encontrei. Mas não o encontrei por novidade, pois as pisadas que ali estavam eram frescas e incontáveis. A bem da verdade, sinto que fui predestinado para o tal, pois não há atalhos ou caminhos alternativos. Todos devem passar por ali. Desde Adão, o pioneiro do caminho, todo o homem que experimenta nascer passa por ali, inevitavelmente. Como também nasci, passo também por ali. O caminho não é difícil, embora poucos saibam qual destino o caminho dará. Todavia, as notícias que temos daqueles que se desviaram do caminho, dizem que os que lá chegaram, morreram. Mas não há escolha: ou passamos por ali ou persistiremos em permanecer num útero, o que nenhuma mãe que se preze deixará - ela quer mais que saiamos!

Bem na entrada do caminho existe uma porta larga e espaçosa. O convite é um tanto provocante. Ao andar pelo caminho errante, encontro prazeres e sensações fascinatórias. Que bom que minha genitora me expulsou daquele cubículo! ao longo do caminho, encontro flores e fezes, prazeres e pesares, aventuras e desventuras. Não sei o que virá pela frente, só sei que eu quero sempre mais daquilo. "Nunca se satisfaz" é o lema do que percorre o caminho. Mas um dia aquilo enjoa.

Andando melindroso pelo caminho que, outrora tão fascinante, agora tão sombrio, vejo uma placa pequena, de madeira, que aponta para um caminho inverso. O caminho se chama curiosamente "O Caminho". Tento entrar no novo caminho, mas não consigo. O meu EU, irritado comigo, diz que se eu for, nossas relações estarão cortadas, mas a minha alma clama pelo caminho inusitado. Na minha briga comigo mesmo, percebo ao lado um aviso que diz: "Teantropos". Sem saber ao certo o que me foi anunciado, grito bem alto aquele enigma e uma força sobrenatural me puxa para o novo caminho. Sigo em frente. À frente, encontro pessoalmente Àquele ao qual clamei, o Teantropos, o Deus-homem, e a partir dali, não sou eu quem ando apenas, mas Ele comigo. O caminho, diferente do outro que vim, é estreito e cheio de 'não-me-toque'. Não pode isso, não pode aquilo, faça isso, faça aquilo... mas a bem da verdade, encontrar o Teantropos me satisfez plenamente.

Deste novo caminho, há como ver o caminho a qual vim e o seu temido destino: é um portal escuro, com animais sombrios na porta. Aqueles que entram, são imediatamente tragados por toda a eternidade. Para alguns, esse destino é ainda mais horrendo. Mas aqueles que seguem ao Teantropos, seguem seguros, sem medo do que virá pela frente, aliás, se passarmos por algum desafio, o Teantropos passará também, pois não está longe de nós. Até que chegamos, mas o destino não nos é permitido falar, tal qual apocalipse. Só sei que, depois que encontrei o caminho da vida, pude andar seguro ao lado de Cristo, e Este, a me guiar.

Cleison Brugger.

6 de junho de 2011

Uma tal Frida.

Frida Maria Strandberg Vingren
Frida Vingren, como era chamada, foi uma missionária que veio, em 1917, para o Brasil, ajudar na implantação das Assembleias de Deus. Em Agosto deste mesmo ano, casou-se com o co-fundador da igreja no Brasil, missionário Gunnar Vingren.
Frida Vingren, embora injustiçada e sofredora, merece lugar na história e lembrança nestes 100 anos. Compôs 07 hinos para a Harpa Cristã e traduziu mais 16. Com a vinda da família Vingren para o Rio de Janeiro em 1924, Frida Vingren mostrou a que veio: pregou, liderou, cantou, tocou órgão e violão, escreveu, costurou, compôs, traduziu, redigiu, ensinou, cuidou da enfermidade do esposo, teve de recuperar-se da malária, esgotamento físico, palpitações no coração e da perda de sua filhinha Gunvor, dirigiu cultos em praças e no presídio e foi, ativamente, uma das líderes da Assembleia em Deus em São Cristóvão-RJ, na ausência do esposo. É incalculável o número de almas que Frida ganhou para seu Senhor. Porém, o machismo nordestino e dos missionários suecos abafou o seu chamado e, por ser mulher, foi posta de lado. Aos 49 anos, no ano de 1940, morreu na Suécia vítima de um câncer, e os portais sempiternos a receberam, guiando-a para o lar celeste. Com tudo isto, hoje relembramos teu chamado e história, e damos valor ao trabalho que ajudaste  a edificar, Frida Strandberg Vingren.

*
Tua aparência frágil me encantou. Confesso nunca ter olhado muito bem. Agora esses teus olhos enigmáticos me fitam. És enfermeira, eu sei, sabes traduzir dores e anseios. Não é isso que me prende tanto a atenção agora, essa tua profissão. É que sendo bem sucedida como dizem, chegando a ser chefe de um hospital, largaste tudo e vieste pra cá, depois de uma guerra... Certamente é uma ocasião em que há muitos feridos para cuidar. Eras tão jovem, apenas 26 anos. Não pensavas em casar, ter filhos, família aí mesmo? Quem sabe, te projetar profissionalmente?

O que te cativou? Seriam os trópicos? Sei que em teu País o inverno é pesado... Não foi a floresta, pois aí a tinhas. Não foram os peixes. Aí tens a deliciosa truta e o inigualável salmão. Não foi o trem, rangendo em seus trilhos, pois também os há de onde vieste. Certamente não foi o desenvolvimento. Teu país produzia tecnologia quando o restante da Europa ainda engatinhava. Agora mesmo estamos querendo os caças produzidos aí! Custo a acreditar que algo subjetivo te movia, quando Petrus, aquele visionário impulsionador de jovens talentos, apenas te admitiu para estudares a Palavra de Deus. Sendo mulher e solteira as coisas ficariam um tanto difíceis. Aliás, quando decidiste vir ao Brasil, sabias que aqui não eras bem vinda. Apesar do provável apoio dos missionários de tua denominação, especialmente teu futuro marido, havia o machismo enrustido dos nordestinos. Era o prenúncio desta briga insana e mesquinha que hoje nos divide, insultando tua memória. Só restaria dinheiro e sucesso, mas a história mostra que apesar de carregares o piano, uma expressão criada por um sociológo brasileiro, para descrever tuas agruras com um marido doente, pouca ou nenhuma láurea recebeste. Então, o que seria?

Imagino-te a implorar a Deus por um destino
, abrasada pelo Espírito Santo. Tuas lágrimas e tuas orações tomaram forma quando conheceste Gunnar, então tudo se aclarou. Era o destino unindo a vontade de Deus com uma obra de tal dimensão jamais igualada por quaisquer outros missionários. Ainda que fosse somente por ele, nada te diminuiria. Ao contrário dos bons partidos líderes de hoje, filhinhos de papais-pastores, aquele homem doente e pobre nada teria a oferecer a não ser amor, cuidado, compreensão e carinho. Ele não estava construindo uma empresa, estava embrenhado em matas, falando uma nova mensagem a estranhos. Nada tinhas a herdar, como de fato, não herdastes nenhum tesouro neste mundo.

Dizem que eras incansável.
Editando jornais, pregando em praça pública, compondo, traduzindo, escrevendo, costurando, falavas dois idiomas. Ouvi dizer que fazias cultos na Casa de Detenção. Ora, se hoje já é dificil a um homem pregar num presídio... Eras corajosa, constato. Ecos da profissão, talvez. Na enfermagem se lida com nada menos que a morte e o sofrimento. Leio relatos assim:

    Em março de 1920, irmã Frida foi acometida de malária, sofrendo com terríveis ataques de febre. Durante dois meses e meio, a luta pela vida foi tamanha, a ponto do marido pedir que Deus a curasse ou a levasse para si. Nesse período, a igreja em Belém se colocou em oração e jejum, esperando de Deus um milagre, que ocorreu em 3 de junho de 1920. Depois de seu restabelecimento, ela enfrentou o problema de saúde do marido.

Imagino-te uma esguia figura de vidro diante dos ventos tenebrosos do começo. Em nada lembras as suntuosas madames de hoje em dia, preocupadas com festas e poder, que presentes ganharão nos aniversários ou onde jantar no fim de semana. Sabias que cantoras evangélicas como tu, hoje são chamadas de divas!? Nos tornamos chiques demais para teus padrões. Roupas caras não eram teu forte, inferimos das poucas fotos que nos restam.

Volto a olhar-te. Estes teus olhos não são lascivos como o de algumas obreiras. São olhos ensimesmados. Ciosos de um mundo a ganhar. Olham para um horizonte tão vasto cuja dimensão somente a eternidade vai revelar. Como se dissessem: Não nos decepcionem, sofremos muito por vocês. Ou quem sabe: Não nos olhem com piedade, façam sua parte da história, sem olhar pra trás. Não sei bem como interpretá-los, há tantas possibilidades, não é mesmo? Talvez estavas apenas olhando pelos teus, para que saíssem bem na foto. As mulheres tem esse dom.

Reverencio-te, comparando-te às muitas nobres senhoras de nossas igrejas. Aquelas que eram dez, vinte, cinquenta e depois multiplicaram-se por mil. Não vieste apenas fazer turismo, disfarçado de missão, estavas a serviço de um Deus que nunca te desamparou. Estavas certa quando largastes tudo. Do alto dos teus 49 anos padeceste tua dose final de humanidade. Sempre jovem para tudo o mais, até mesmo para dizer adeus. Como afirmas em um dos teus hinos: Se Cristo comigo vai, eu irei...

Somos fruto do incansável trabalho das tuas mãos, que Deus não é injusto para esquecer. Certamente ouviremos teu nome quando estivermos diante de seu trono. Então poderemos te conhecer pessoalmente, quem sabe te abraçar ou, melhor ainda, todos assembleianos brasileiros estaremos juntos e poderemos retribuir teu olhar. Ao menos a massa simples não vai te envergonhar.

18 de abril de 2011

Necessidade.

Necessidade louca essa.
Já tenho blogs, escrevo sempre coisas novas, mas a necessidade que sinto de continuar escrevendo, e o que é pior, coisas inusitadas, é extrema. Por esta razão, apareço mais uma vez por aqui.

Não quero ser categórico aqui, mas quero apenas escrever. Não tenho a presunção de ter seguidores, de ser lido sempre e nem de sempre estar escrevendo. Faço mais este blog por pura necessidade. Aqui, quero expor meus devaneios, minhas emoções, minha vida à partir dos 18.

Quero reunir meus amigos nesta sala, sentar com Augusto dos Anjos e Drummond, cantar com gente querida e expor, de tudo um pouco.

Espero não ser expulso. Espero não ser querido.

Cleison Brugger.