Tudo o que pensamos, vivemos, sentimos, queremos.
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1 de fevereiro de 2013

Fevereiro

Fevereiro é mês dois, Fevereiro é depois de Janeiro. Fevereiro tem samba, Fevereiro tem suing, Fevereiro tem mulatas ao som de Cartola. Fevereiro é mês quente, Fevereiro tem gente que se ama e quer ser feliz. Fevereiro é febril, também é pueril, e que faz de adultos crianças de novo. Fevereiro é bem breve, e de todos o mais leve, e no bissexto ano continua sendo menor. Mesmo assim, nos encanta, e nos tira o mais leve sorriso, por entrar e cantar o samba da vila do pobre menino.



 Cleison Brugger

7 de janeiro de 2013

Menina do interior

Chegou de mudança em uma cidadezinha do interior, uma família bem humilde, pai, mãe e filha. Ora vejam: moreninha, sorriso branco, pele doce. Aquele cheiro de alfazema nas mãos, que só de encostar na gente já apaixona. No cabelo, uma tiara. Na verdade, tiara simples. Mas tudo o que aquela menina usava tinha um valor maior. A tiara mais parecia uma coroa naqueles longos cabelos rubros.

Chegou ali e encantou. As pessoas da cidadezinha ficam bobas com o jeitinho encantador da jovem, ela é diferente, tem uma coisa a mais. Conta-se que, certa vez, um menino meio bobo veio puxar assunto, dizendo: "belo dia o que está!", no que ela disse: "meu Pai que fez!", no que perguntou o moço: "quem é seu pai?" e ela respondeu: "O Rei dos reis" Ora vejam a fé da menina, ora vejam de onde ela brilha: a luz que dela reluz não vem de fatores outros senão da certeza de saber que seu Pai a tudo faz. 

O tempo passa e as pessoas a cada dia ficam mais apaixonadas pelo jeito da menina, e acaba que começam a chamá-la de Princesa. Pronto, pegou o apelido. Título, não sei. Só sei que a menina fazia jus ao que a ela titularam. “Essa menina é uma princesa”; “jeito meigo e delicado como o de uma princesa”, as pessoas diziam.

E Talvez, as pessoas chamavam a menina de Princesa por ela ser filha do Rei dos reis, ou pelo seu modo de viver ou pelo jeito carinhoso de tratar as pessoas. Não se sabe bem, mas ela encantava e brilhava e, na verdade, todos esperavam o dia em que o Rei viria para buscá-la, pois esta era uma história que ela contava com tanta certeza que as pessoas estavam já acreditando. Ela dizia com frequência: "O Rei está voltando!".



Por Cleison Brugger e Lorena Freitas

1 de janeiro de 2013

Ano Novo

Um cheiro bom está lá fora. Cheiro de novo. Deve ser o ano.

Que vento bom lá fora. Ao senti-lo, vi-o levando coisas e trazendo outras. Deve ser bonança.

Que criança linda lá fora. Deu um sorriso. Deu-me esperança que a vida acontece e continua.

Que dia bom lá fora. Dia esse que já se fez noite. Engraçado que ontem mesmo era um ano passado, e o hoje é o futuro do ontem que se foi. Ouço os passos de novos dias vindo à frente.

Que assunto bom lá fora. Pena que acabou, mas deu sinal de que continuaria. Que bom, pois temos muito o que conversar nestes dias que pela frente virão.

Que beijo lindo daquele casal. Parecem estar apaixonados. E eu pensando que o ano tinha levado a paixão. Ela veio e acontece. Há razões para sorrir e amar.

Que praça bonita ali na esquina. Tem um banco onde sentam velhos. E tem grama, onde sentam todos. Bom espaço para sentar e cantar.

Que vida boa que se vive, que às vezes parece ruim, mas na essência é boa sim. Num novo ano, viver traz medo, mas na essência traz novidades, e quem não ri com novidades? é certo que com os anos vem as dores, vem os filhos, vem canseira, vem grisalhos, vem tormentas. Mas duvido que alguém queira parar num ano velho, pois é no ano novo que as coisas acontecem.


Cleison Brügger

27 de dezembro de 2012

“É fácil demais viver em paz, a gente é que complica tudo”

Já diz a canção.

Já reparou? Tem horas que está tudo indo bem e de repente muda tudo, pra pior.
Existe um alguém culpado por isso? Sim.
Deus? Não. Você.
"- Eu?"
Sim, você mesmo.

 Uma brincadeira de mau gosto, um comentário sem pensar... Ações por impulso podem te levar a perder bens, e eu falo de pessoas, que podem nunca mais voltar. É da natureza dos humanos fazer o que dá na telha, é por isso que muita gente sofre e fica se lamentando e perguntando o porquê? Por que meu Deus? Eu fico imaginando Deus olhando pra nós e dizendo: você. O que mais ele pode fazer? Impedir nossas escolhas?

“É levando tombo que se aprende a andar.”

Esquece essa de que se tivesse chance de voltar faria tudo diferente, entenda que temos a tendência de fazer as mesmas coisas sempre, é da natureza dos humanos. Ou seja, iríamos cometer as mesmas coisas, se não piores que antes. A vida parece com aquelas caixinhas de conselhos, como se todos os dias a gente lesse uma mensagem e decide se faz aquilo ou não. Lembrando que para ambas as escolhas haverá uma consequência, boa ou ruim.

Você pode me perguntar: o que se pode fazer quando já está feito? Apenas aceitar o que vier e, quem sabe numa próxima vez, conversar com Deus antes de mover os pés.

Patrick Marques

25 de agosto de 2012

A garota do colégio



Passa ela, toda-toda, pomposa, robusta e delicada, pensando ser miss, querendo causar.
Desce as escadas, delicadamente segura o corrimão, dá um sorriso pra o menino que passou ao seu lado e olhou. Simpática demais, bonita demais, charmosa demais...
Não suporto garotas que fingem ser o que não são. Certamente, o excesso de maquiagem é pra esconder sua feiura enrustida.
Tá, confesso: ela nem usa tanta maquiagem assim!
Mas olha a mochila dela: parece um mural, de tantos nomes. Deve ser as amigas pattys dela... o quarto dessa garota deve ser o quartel general de Barbie, de tão rosa. Aliás, magenta, tamanha a frescurisse.
Ela passando e os garotos olhando. Parece regra. Se passar por mim, viro a cara num lapso, pra mostrar que desaprovo seu comportamento menina demais. É até melhor, que é pra essa aí saber que não sou igual aos outros. Se passar, direi com um olhar: você não me encanta.

E lá vem ela, logo em minha direção. O que eu fiz, meu Deus? aula às 7hs, primeiro tempo de Física, agora essa garota... é demais pra um dia só!
E ela anda desfilando... se toca, isso não é um concurso!

Passou. Sorriu. E pra garota encostada na pilastra da frente, disse: "e aí?" 
(Garotas não cumprimentam assim!, penso)
E o que é aquilo escrito na mochila dela? "eu sei quem trama e quem tá comigo"
Isso é coisa que se escreva em mochila? tá que eu também gosto de Racionais , mas que contradição o andar dela com essa suposta malandragem. Se liga garota, Na escola que você estuda, eu fui expulso por ser malandro demais.

"Depois da aula, aquela partida?", ouço ela dizer.
Ah, fala sério! marcando partida de sei lá o quê com o garoto do 2º ano! Conheço ele, ele é um amante de PS3 e xbox, mas pára, ela jamais jogaria algo assim! o que ela deve gostar mesmo é de chorar vendo filme romântico.

E o que é isso aqui? uma caneta. Ah, não me diga que ela deixou cair quando passou por aqui...

"Ei, menina!"

Bem, deixa eu exercer cavaleirismo e ir atrás dela devolver.
(Não é sempre que a garota dos sonhos deixa a caneta cair logo na sua frente)

Tá, confesso: me apaixonei. Não resisto a essa mistura de meiguice e malandragem!

Cleison Brügger

22 de março de 2012

Intrínseco

É dele, e ninguém tira. 'stá nele, e não há quem ouse argumentar. É dele a vontade de amar outro alguém, assim como também é dele querer viver um outro amor. É dele a euforia e o monotonismo. É dele as ondas e as pedras. Ora ele quer dia, ora ele quer noite. É dele esse querer paradoxal.

Às vezes, quero. Por vezes, tento. Raramente consigo. Mas e daí, se um dia me nasceu a vontade de sorrir e ser feliz? se um dia, bem sei, os botões se tornarão em lindas flores? se a qualquer hora dessas o sino soará até o mais extenso badalo - o barulho das 12 horas? eu sei, e espero. É meu, e ninguém tira! 

Cleison Brugger

2 de fevereiro de 2012

Mudanças


As mudanças do homem - não em sua totalidade, é claro -, concernentes a si mesmo, começam quando ele ouve a respeito de si pela boca de outros. Se ouve que tem falhas no caráter, se propõe a melhorar. Se ouve que erra sobremodo, dá um jeito de acertar. Se ouve que é emburrado, tenta, então, ser feliz. Se ouve que é muito sério, logo depois vem vestido com camisa listrada (camisa listrada acaba com a seriedade!)

Não de todo, mas às vezes, é necessário ouvir a outros. Tem coisas sobre nós que só sabemos porque alguém nos disse (acredite! experiência própria). Existem chatices em nós que, se soubéssemos que eram chatices, jamais que as teríamos. Mas só sabemos que há, porque alguém as apontou.

Contudo, eu, particularmente, considero isso perigoso. Nem sempre opiniões e juizos de valor alheios devem se tornar diretrizes para a vida.  Na verdade, quem te conhece de fato, senão você mesmo? Não digo com isso que a opinião dos outros é inválida. Na verdade, existem espinhos em nós que só percebemos quando os mesmos ferem a alguém. Mas saiba a quem ouvir. Tem gente que mal sabe o nosso nome, e mesmo assim quer meter o bedelho na maneira como deveríamos proceder, nos vestir ou a raça de cachorro que mais combina com a gente. Ouça aqueles que te conhecem! que sabe de suas manias, maneiras, mazelas. Ouça os que te ouvem. Quem jamais ouve outrém não é digno de ser ouvido falar.

É em vivendo que se aprende a viver. Ninguém jamais será um exímio paquerador se jamais uma segunda pessoa se apresentar para o colóquio. Só quero dizer que, antes de sair às ruas, conheça a si mesmo. Não há nada mais suspirante do que sair nas ruas e encontrar, na massa desenfreada, um alguém gentil, educado, sóbrio. É um acalento! Isso se dá porque antes do supracitado alguém ouvir a outros, ouviu a si mesmo. Em pensando fazer outros felizes, fez feliz a ele primeiro. Como alguém uma vez disse, "se você é solteiro e é infeliz, é porque nem você se aguenta". À parte os que sempre terão o que dizer de nós, é deveras essencial a auto-crítica. E se, depois disso, ainda ouvires rumores a respeito de ti, diga: "falem mal, falem bem, mas falem de mim". Tem gente que gasta tanto tempo falando dos outros, que não sobra tempo de olhar para si e mudar a si mesmo.

Cleison Brugger

26 de janeiro de 2012

Salve, salve!

Salve a madrugada, salve o silêncio, salve o sono, salve a Coca, salve o trem e o barulho que faz aqui em frente.
Salve os amigos , salve o Salva e as comidas que ele faz.
Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.
Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.
Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.
Salve a malandragem, mas só a boa. Salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.
Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seus dribles, e a tortidão de suas pernas.
Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.
Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.
Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.
Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.
Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.
Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Drummond, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.
Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, salve Santa Teresa e o Catumbi.
Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, e a Guaranita também.
Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.

Fabricio Cunha

31 de dezembro de 2011

The End, 2011

Fim de percurso. Linha de chegada. Ponto final. É estranho acreditar que chegamos ao último dia do ano. Não sei para você, mas parece que dois mil e onze demorou a acabar. Na verdade, esta delimitação de tempo inventada pelo homem - horas, dias, meses, anos -  com a funesta intenção de facilitar nossas vidas, acaba nos deixando ainda mais ansiosos. "Quando vai acabar", "quando vai começar" são alguns dos dilemas que enfrentamos  com isso. Conheço alguns pessimistas que dizem que não há diferença alguma entre o 31 de Dezembro e o 1º de Janeiro. É só mais um dia. Nada muda, segundo eles. Eu discordo. Discordo não na forma, mas no que tange a essência. Existe um poder mágico - que não se faz por poderes celestes, mas no íntimo humano - que faz com que as pessoas façam promessas, almejem sonhos e tracem planos para o ano vindouro, e isso geralmente não acontece nos outros dias do ano. É só nesse mágico dia 31 de Dezembro - ou perto dele - que as pessoas começam a devanear, pensar, almejar, sonhar com o novo ano. Sou desses. Queira Deus que não sejamos frustrados.

Digo que seria ingratidão sair deste ano sem agradecer. Devo agradecer. Saio de dois mil e onze mais crescido, mais metido, mais amigo, mais humano, mais gentil, mais crítico, mais cético, mais sarcástico, mais de tudo um pouco. Vi amigos queridos casando, vi gente querida morrendo, vi gente amada chorando, vi gente de bem sorrindo. Vi tragédias, lamúrias, sofrimentos. No entanto, fui abraçado por crianças, fui acalentado em momentos de dor, conheci gente que quero pra sempre, fui aconselhado a viver mais um pouco, fui informado que a dor já passou.

Saio feliz pois sei que, neste ano, passei a fazer parte da vida de algumas pessoas. Cativei alguns poucos. Fiz gente sorrir com besteiras. Fiz gente chorar com a verdade. Calei muita gente insciente. Calei-me na minha insensatez. Parei para ouvir grandes homens. Outros, tive a honra de abraçar. A outros ainda, pude beijar a mão, em sinal de respeito. Chorei ao saber que alguns velhos se foram (e como se foram velhos este ano!). Perdemos gente ébria que o mundo aplaudiu, como Amy Winehouse. Perdemos gente sóbria que o mundo não era digno de tê-los, como Wilkerson e Stott. A estes últimos, quem os reporá?

Assim, dois mil e onze se vai. Olhando para tudo o que aconteceu, vejo a boa mão de Deus e a Sua mente soberana coordenando cada acontecimento. Aos cuidados do Senhor me ponho, e anelo a chegada deste novo ano. Os Maias disseram que o ano que está por vir será o último da existência humana. Aos que acreditam, sorte. Contudo, não procrastinarei. Vivendo o hoje e planejando o amanhã sigo, com uma viola qualquer, um Drummond no pensar e um café, bem quente e coado, por favor!

Um novo ano de paz para você!

Cleison Brugger.

9 de dezembro de 2011

Dezembro

Imagem por Gregory Rocha

Dezembro é um mês incomum. É o único mês do ano que as pessoas aparentam estar alegres. Digo aparentar, pois os pisca-piscas coloridos nas árvores e fachadas, os shoppings decorados e as lojas abarrotadas dão a entender que as pessoas estão felizes e que o mundo está melhor. Ledo engano.
Alguns vão às compras só por inveja, outros porque já é de praxe. Algumas pessoas ficam mais sociáveis no mês de dezembro, só pra que o "feliz natal" e "feliz ano novo" não soe muito falso e a consciência não fique martelando. A verdade é que chega dezembro, mas as amizades falsas continuam, os assassinatos também e a morte não tira folga. Ninguém muda em dezembro. Desafio você a, pelo menos, lembrar das coisas que você prometeu fazer dezembro passado. Bem, se você não lembra, quanto menos cumprir o que prometeu a si mesmo (ou a outrem). Decerto, dezembro não é um mês mágico.

Mas, de fato, não é o pior do meses. Talvez seja o melhor dos doze. É em dezembro que fechamos pra balanço, que fazemos projetos (por menores que sejam) para o próximo ano (coisa que não fazemos nos outros meses). É em dezembro que a ficha de que o ano está findando e você não fez metade do que deveria, cai. Dezembro é pura melancolia à noite, como também, é pura correria ao dia. Em dezembro, temos que ter cuidado ao dar a desculpa: "deixa pro ano que vem...", pois o ano que vem, vem logo ali. É em dezembro que bate o desespero: "como será o ano que vem? será que eu caso, fico rico(a), escrevo um livro, bato as botas...?". É em dezembro que as coisas precisam se acertar.

Dezembro é o resumo do trabalho, é a conclusão da redação. Dezembro é o mês em que olhamos para trás e não lembramos nem quem fomos em janeiro. E, para cunho meramente informativo, dezembro é o único mês que, ao mesmo tempo, está perto e distante de janeiro. É, de fato, um mês confuso. 

De fato, as pessoas esperam que o ano que está para vir, seja melhor que o ano em que estamos. Você já pensou na possibilidade de que, todo ano, sempre pensamos assim? nunca está bom o suficiente! Mas, na verdade, enquanto nós esperamos que o ano que está por vir seja melhor, o ano que vem espera que nós é que sejamos melhores. Querer que o ano mude é interessante, mas o dever de mudar é nosso. Jocosamente, parece que é intrínseco ao humano: até quando as coisas não vão bem, a culpa é colocada no lombo do ano que está, dizendo que o ano foi péssimo e que o destino lhe estava virado. Ora, vire homem e assuma seus erros. As coisas não foram bem, porque você não foi bom o suficiente para mudar as coisas.

Então,  o conselho nesse dezembro é o que vem a seguir: quando as taças, no ano novo, estiverem para brindar  e alguém propôr: "vamos tomar champagne pra comemorar?", diga pra quem propôs: "que tal, antes do champagne, tomarmos tenência, a fim de que não comemoremos apenas o hoje, mas também, os próximos dias que teremos que viver?"

Talvez você seja odiado na festinha e ninguém te dê presente, mas dê de ombros. Essa festinha tem todo dezembro, e o outro dezembro daqui a pouco está chegando, novamente.

BRUGGER, C.

23 de novembro de 2011

Apatia

Sentado a respirar, penso. Pensando em sentar, respiro. Respirando e pensando, sento.

"-O que tens?", pergunta o passante. Não sei bem. Uma mistura de dias escabrosos, noites em claro, tardes chuvosas e flores sem cheiro. "-A vida como um todo anda tão sem cheiro", comenta o passante. Concordo. Parece que as raças perdeu, cada uma, sua cor. De pele negra, branca ou parda, tudo o vejo é preto-e-branco. Perdeu-se a cor. Perdeu-se o cheiro. Perdeu-se o sabor.

"-O sabor de quê?", pergunta o passante. Da vida, das coisas, das pessoas. Vivemos dias em que gostoso e delicioso têm conotação pejorativa, enquanto antes, estes vocáculos eram empregados para expressar um dia bem respirado ou um bebê de meses, com a bochecha rosada.

"-O que mudou?" questiona o passante. Não vês? és de outro mundo? não sabes o que mudou? você, eu, a vida! Respiramos ofegantes, parecendo que estamos vivendo obrigados. Para muitos, acabou-se o prazer. Quem come jamelão, faz cara de que comeu algo azedo. Quem come marmelada, não mais se lambuza, pervertendo o ditado. Quem ri para alguém, corre risco de morte, pois o alvo do riso, achou que o outro riu de deboche. Tudo mudou, passante, tudo!

"-E o que esperas?", me diz o passante. Espero que este Augusto dos Anjos saia de mim! tenho visto tudo tão dramaticamente. Mas não sem razão. As coisas têm me levado a estes caminhos. Por um pouco, e já chamo o doutor para cortar minha singularíssima pessoa!

"-Sorte na vida!", deseja o passante, despedindo-se. Espera, passante! nem mesmo um café? o colóquio foi tão seco... Ora, nem mesmo o passante suportou o gosto da minha aridez. Decerto, ele é igual a todo mundo. Sem cheiro, sem sabor, sem cor. Que se vá! Augusto, não atente para o que escrevi acima, e fique mais um pouco.

BRUGGER, Cleison.

20 de novembro de 2011

Erros

 O homem tenta, mas não consegue.
Tentando fazer rir, consegue fazer chorar.
Tentando acertar, consegue errar, e feio.
Tentando consertar, acaba por arruinar.
Tentando reunir, acaba espalhando.
Tentando dar amor, acaba machucando.
Tentando dar alento, acaba enraivecendo.
E mesmo sendo calmo, consegue ser um tormento.

Do que o homem é feito, minha gente?
Quais ingredientes o compõe para que ele seja assim?
Imperfeição é um deles, de certo.
Essa natureza caida, que de boa nada tem.
O homem é ruim, mau, desastrado até no que é e no que faz.
E no tentando ser gente, acaba sendo monstro.
E no tentando ser gentil, acaba sendo grosso.
E no tentando sorrir, acaba por fazer careta.
Seria jocoso, se não fosse tragédico. Ou vice-versa, não sei.
Só sei que, de vez em quando, esse "tentar" do homem dispõe um riso,
mas em outras vezes, dá uma vergonha que, se pudéssemos, viraríamos pó.
Aliás, é o que somos. Pó é nossa estrutura. Isso me acalma um pouquinho.
Lembrar que não somos de bronze, chumbo ou algo do tipo, me dá um certo alívio que diz: "seu material não é lá essas coisas pra você ser o supra sumo da perfeição".

Nessa vida, errar é normal, desde que o erro não seja planejado.

Cleison Brugger


27 de outubro de 2011

Um pouco de cada fase.

- Você mudou!, diz alguém, sorridente, olhando seus cabelos.
- Você mudou, diz outro alguém, este cabisbaixo, tentando não chorar.
Mas, a bem da verdade, o que dizes de ti mesmo? mudaste, de fato? se sim, com exclamação ou sem? (se não entendeu, perceba a diferença das frases que, acima, aparentam ser iguais).

Vivemos mudando, uns pra mal, outros pra bem, mas mudar é inevitável. Vivemos num mundo onde lagarta vira borboleta, onde gente nasce sem dente, cresce e com ele os dentes e quando está pra morrer, cadê os dentes? se foram de novo! As coisas mudam, o tempo passa, a vida é breve!

Certo dia, ouvi de alguém: "você mudou, não é mais o mesmo". Bem, como dito acima, dependendo da perspectiva, pode ser tanto uma crítica como um elogio. Mas fui sábio o suficiente para discernir o que era, de fato. Depois dessa constatação, que eu mesmo já havia feito antes, fiquei numa linha tênue, entre o ir e o voltar: não sei se volto a uns quatro quarteirões e tento achar quem fui e hoje deixei de ser ou se continuo andando, e por conseguinte mudando, até achar quem realmente sou. Há momentos, que me acho completamente formado, mas não demora muito e me sinto completando imaturo. Não sabemos o que somos, não sabemos quem fomos, só sabemos que mudamos.

Olhamos aquela nossa foto, antiga coitada, e constatamos aliviados: - Graças a Deus, eu mudei! Mas então vem a consciência, não sei se pesada ou leve, não sei por quem enviada, e nos questiona: mudastes pra mal ou pra bem (dizer só da aparência não vale!). E seu sorriso, mudou? aliás, seus motivos de sorrir, mudaram? mais aliás ainda, sua vida, como está? tem gente que muda tanto, que chega num estágio de 'evolução' que se fizerem um antes e depois dela, diriam: é impossivel que ela tenha sido assim pra chegar a ser o que é hoje!

Que a vida mude, não eu. Quero ter um pouquinho de mim ao passo que eu for crescendo. Para ser mais poético (ou coerente, sei lá), quero um pouco de cada fase. Quero ter o sorriso da criança que fui (só pode escolher uma coisa?), a subversividade da adolescência, a facilidade do amar da juventude, a seriedade da vida adulta e da terceira idade... quando eu chegar lá, digo o quero dela.

BRUGGER, Cleison.

13 de outubro de 2011

Olhem para as crianças.

Uma angústia no íntimo. Um desejo de abandonar as afeições. Não suporto o fato de maquiar tristeza com um sorriso. Se você é falso a este ponto, parabéns! só um grande artista consegue esta proeza. Ultimamente, meus pensamentos têm entrado em conflito. No que crer, no que ser, como ser... o que amar, a quem amar, como amar...

Sinto falta de atos. Cansei das palavras. Nossa gente fala demais e isso me dá náuseas. Ao invés de dizer amor, porque não amar sem dizer? ao invés de dizer por trás, porque não damos as mãos e dizemos: "não me importa suas falhas, pois também as tenho, talvez mais que você"?

Na verdade, o que sinto é carência. Carência de sinceridade. Hoje tudo é tão falso, que de vez em sempre me convenço que o planeta em que vivo é postiço. Há tanta superficialidade, tantos risos na fronte e tanto ódio por detrás... e o pior é que quem faz estas coisas não é um cara que você conhece de vista, mas muita das vezes amigos, pessoas que você estima acima de qualquer suspeita. É estranho viver num mundo onde os semelhantes se acham superiores. É difícil viver numa esfera de indiferença e falsidade, quando as pessoas se parecem e a única coisa que os diferencia é a cor. Temos a mesma origem. Temos um mesmo destino. Todos viemos de ventres maternos. Todos iremos ao seio da morte.

Já parou para pensar que as coisas que julgamos boas, às vezes cansam? afagos cansam, elogios cansam, abraços cansam, rir cansa, palavras cansam. Mas o que não me cansa é a sinceridade. Pois para mim (e, creio, para você) afagos sinceros, elogios sinceros, abraços sinceros, risos sinceros e palavras sinceras jamais cansarão. Percebe que se as coisas fluirem pelo canal da sinceridade, as outras coisas poderão não ser tão intediantes como, por incrível que pareça, podem vir a ser?

Por isso gosto de crianças. Elas são sinceras. Um riso de criança é bonito (mesmo que faltem os dentes da frente), porque é sincero. Dá prazer de ver crianças brincarem porque há sinceridade. Me emociono com um beijo um ou abraço de uma criança, porque é a forma mais autêntica de sinceridade. Não é à toa que o Mestre ensinou: "sejam como crianças, elas têm muito a ensinar a vocês, raça de víboras!", que destilam veneno pelo prazer, sem se importar se a presa viveu ou morreu. Que tempos os nossos!

BRUGGER, Cleison.

3 de outubro de 2011

Girassóis.

Quando girassóis murcham, é sinal de que o Sol não veio. É sinal de que não comtemplaremos sua plenitude.
*
O aspecto dos girássois, em dias escuros, não é tão belo quando se tem o calor do Sol. Sua aparência é cálida, inexpressiva... eles murcham porque o dia não lhe trará boas surpresas. Os pássaros não cantarão a melodia com tanta alegria, como o fazem ao contemplar o resplendor do Sol.

Quando não se tem o Sol, os girassóis, murchos, viram a cara, olham para o oriente, escondem-se  do lugar donde o Sol se põe. Muito embora, de vez em quando, olhem para cima nos montes, no afã de receber algum tipo de atenção daquele que não veio.

Por todo o dia eles sentem a brisa, e em dias nublados sentem da chuva, mas não podem sentir a alegria de olhar para Sol e contemplar sua majestade. O Sol para eles é refrigério, é proteção, é carinho, é cuidado, é atenção! Existe uma reciprocidade única! Por todo o dia, eles se entreolham, e no cair da tarde, existe a mais sublime forma de despedida, findando assim, um dia repleto de afetos.

Mas a esperança dos girassóis que, por estarem sós, também estão murchos, é o dia seguinte. Nem o sereno da noite, muito menos o orvalho dos horários extensos podem acabar com a esperança dos girassóis de ver raiar mais uma vez o Sol. E no começo do dia, sei, com muita alegria, os girassóis despertam. E olha, quem lá está! o Sol, ele que alegria dá aos girassóis que outrora estavam murchos.

E assim, no raiar de um novo dia, começa, com muita euforia, os pássaros a cantar a melodia de um cântico novo. E os girassóis, que murchos antes estavam, agora, alegres pelo nascer da manhã, recebem, mais uma vez, afeto e carinho, daquele que para eles, é o quadrado perfeito da criação: O SOL.

BRUGGER, Cleison

22 de setembro de 2011

Idílio.

Noites vêm, noites vão e ela não sai das minhas lembranças. Ela quem, pergunta o inchirido? quem eu (ou tu) achar por bem ser. De fato, nem tudo o quero, possuo, como nem tudo o que possuo, desejo, de fato, ter. Há coisas que precisamos ter e não temos nem um bucado, nem uma gota sequer pra sanar a sede, mas aquilo a qual não precisamos ter, isso temos a flux.

Sim, afirmo que preciso de amor. Leia bem, preciso de amor, não um amor. Não quero dizer com isso que fiz o voto do celibato, mas quero asseverar que de nada adianta ter um amor, se não tenho o amor. Como amar sem amor? seria como saciar a sede numa fonte que há muito secou-se. Aliás, nesses tempos de estranheza quanto ao tipo humano e incertezas do quem é quem, há tantos corações onde a fonte do amor se secou, que para os tais amar é somente (e apenas) um verbo transitivo direto.

Na verdade, preciso de um amor idílico, bucólico, juvenil, suave. idílico no dar e ter de volta, bucólico por me fazer lembrar das flores, juvenil por me fazer saber o que é a vida e suave, por me fazer ouvir, mesmo sem ter musica, sustenidos e bemóis. Quero amar e saber o porquê estou amando. Quero reciprocidade, dar e receber, numa mesma sintonia. Quero um amor poético, que me faça suspirar, devanear, sonhar, fantasiar. Dançar uma melodia, bailando, eu comigo mesmo, ou eu com a morena que mora na rua das margaridas, ou eu com a chuva do veraneio. Não importa com quem. O que importa é estar acompanhado.

Portanto, pode-se perguntar: "queres se enamorar?" talvez. "Queres uma paixão?" aceito, certamente. Mas não quero me enamorar e ter uma paixão apenas com alguém, mas com alguns e também com coisas. Quero rir da e com a vida. Quero escrever poesia olhando a chuva; quero sentir uma nortada e saber que sou querido; quero esquecer-me de mim e lembrar que, se eu der amor, serei retribuido, quer com abraços, quer com carinhos, quer com um simplório sorriso.

BRUGGER, Cleison.

13 de agosto de 2011

Vida no sertão

Eis que ela vem e logo perdemo-la ali. Eis que ela vai e brevemente virá em regresso. Dizem por ai, mas precisamente pelas campinas de Araxá, que essa tal é a última a ser morta, embora poucos já viram, um dia, essa bendita morrer. Uns dizem que constataram sua morte na rua dos conselheiros, mas provas do fato não há. Outros dizem que poucos dias depois de ter sabido da  morte da dita cuja, a viram perambular pelas ruas do sertão. Se morre, não sei, mas que vive, é indubitável.

A vida no sertão é difícil. Marias e Severinas com seus bacuris no colo, magrelos, famintos, com bicho do pé e barriga d'água. Sentadas na soleira ficam, esperando os Joãos e Josefos chegar. Embora a notícia de antemão se anuncia (por horas labutei / descanso não encontrei / fartura também não achei), elas ficam lá sentadas, junto com a maldita que nunca morre e só serve pra remoer as emoções mais do que abaladas pela tragédica realidade que ali se passa.
Ora, esperança, não vês que aqui não tens lugar? Olha ao teu redor, esperança, vês se há condições de, nesta cena, atuar? há crianças famintas, mães que choram, homens tristes e animais semi-mortos, e porque tu ainda vens, criando no coração dessa gente um sentimento de que "as coisas podem sim melhorar"?

Enquanto a maldita esperança arruma as trouxas para dali arredar o pé, uma mãe grita da porta, com seus olhos fundos, mas convictos, dizendo algo assim: "Vai não, esperança, fica! há vida no sertão. Os meninos me disseram que, embora a fome exista, há vontade de viver. Eu, que embora entristecida, fatigada e em farrapos, sei que se tu for embora, ai mesmo jeito não teremos!" no que diz a esperança: "Ora, mas não achas que só sirvo para iludir-vos?", no que, sem tempo, é objetada: "Nada disso, esperança! é contigo que, de manhãzinha, na minha reza a Santo Alguém, me apego com firmeza, olhando para o meu ontem, lembrando das aflições e olhando para o meu hoje, vendo pela janela que o Sol voltou de novo e acreditando que neste dia novo, as coisas podem dar certo e os meninos podem viver mais um bucado".  

Cleison Brugger

11 de agosto de 2011

Simples, mas solene.



E numa tarde chuvosa, coisas normalmente insistem em vir à memória – coisas boas e ruins. Interessante é que mesmo que não as queira pensar, tais lembranças estão ali batendo à porta da memória para enfim vir à tona.

Lembranças... São muitas das vezes incoerentes, desordenadas e ate fugaz. E seja olhando a chuva cair lá fora, andando na rua, escutando músicas antigas, olhando um retrato na estante ou apenas em lugar qualquer com os olhos fechados, elas aparecem. E aquele clima meio que etéreo trás consigo a capacidade de te arrancar lágrimas – sim, arrancar. Porque elas caem sem que mesmo tenhamos dado permissão.

De repente, acordando sem mesmo ter cochilado. Olhamos além da janela e percebemos que a chuva simplesmente deixou de dar o ar de sua graça e observamos assim o crepúsculo deixado por ela. E tal cena imediatamente busca lembranças de um verão com amigos, de um café da tarde admirando o sol sentado na varanda, da saudade de quem namora ou ate da vontade de ver quem se enamora.

Lembranças vêm e vão a todo o momento. A questão é que nem sempre estamos atentos a elas. Que é preciso que a vida nos dê uma tarde chuvosa ou um crepúsculo para que possamos ter a gentileza de atentá-las. É necessário perceber a importância de cada lembrança e o que cada uma em sua singularidade ensina, faz sentir, deixa saudade e mostra a falta de algo, mesmo que outrora não fosse necessário e que hoje é preciso.


Seja sensível à pequenas coisas como, simples lembranças!


Anne Albuquerque

8 de agosto de 2011

Adiaforia.

Vez ou outra, me pego apegado ao supérfluo
Quase sempre, estou agarrado ao fugaz
Tendo em vista que desta vida nada levo
Sim, me apego ao que a vida sempre traz.

Não, não sou indiferente ao que é efêmero
E certo é que a efemeridade pecado não é
Pecado é deixar passar o que é bom
E os erros que, de fato, controem a vida do jeito que é.

Os que, pomposamente, rejeitam os erros
Não saberá viver de maneira correta
Pois é com eles que aprendemos ter acertos
E é errando que se vive de forma esperta.

Certamente nunca aprenderemos a viver
A cada minuto, nova forma de viver se nos apresenta
Assim, o inusitado sempre nos é mister
Para que se viva de forma boa, feliz e bela.

O escritor, como já deves ter percebido, é péssimo em rima
Mas já que comecei, prometo-lhes terminar
Só venho dizer que vivam a vida
Mas vivam-na toda, até acabar.

Cleison Brugger

29 de julho de 2011

Si mesmo.


E o meu desejo é não ser o assunto alheio.
E que não fale de mim, mas fale de si mesmo.

Observe a si mesmo, e nesse ato não é necessário que seja observado apenas os defeitos, observe suas qualidades. Veja como e quando você é bom em algo. Mas, claro, com o cuidado de não deixar de ter uma visão de seus defeitos.

Duvide de si mesmo, duvide se seria capaz de fazer alguém sofrer por querer. Seria?

Critique a si mesmo; e isso é importantíssimo, só criticando a si mesmo que é possível ver onde pode consertar afinal você não nasceu com defeitos só para que todos pudessem ver que você não é perfeito, mas sim pra aprender com os mesmos e assim procurar evoluir sozinho.

Ria de si mesmo. Porque não? Rir pra si mesmo é mostrar à vida uma necessidade de ser feliz mesmo que em seu quarto sozinho olhando no espelho. Apenas ria.

Então, seja você mesmo quando estiver chorando, rindo, duvidando e observando. 

E rir meu riso e derramar meu pranto.* 

Anne Albuquerque

*citação de Vinícius de Moraes