Fevereiro é mês dois, Fevereiro é depois de Janeiro. Fevereiro tem samba, Fevereiro tem suing, Fevereiro tem mulatas ao som de Cartola. Fevereiro é mês quente, Fevereiro tem gente que se ama e quer ser feliz. Fevereiro é febril, também é pueril, e que faz de adultos crianças de novo. Fevereiro é bem breve, e de todos o mais leve, e no bissexto ano continua sendo menor. Mesmo assim, nos encanta, e nos tira o mais leve sorriso, por entrar e cantar o samba da vila do pobre menino.
Cleison Brugger
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1 de fevereiro de 2013
7 de janeiro de 2013
Menina do interior
Chegou de mudança em uma cidadezinha do interior, uma família bem humilde, pai, mãe e filha. Ora vejam: moreninha, sorriso branco, pele doce. Aquele cheiro de alfazema nas mãos, que só de encostar na gente já apaixona. No cabelo, uma tiara. Na verdade, tiara simples. Mas tudo o que aquela menina usava tinha um valor maior. A tiara mais parecia uma coroa naqueles longos cabelos rubros.
Chegou ali e encantou. As pessoas da cidadezinha ficam bobas com o jeitinho encantador da jovem, ela é diferente, tem uma coisa a mais. Conta-se que, certa vez, um menino meio bobo veio puxar assunto, dizendo: "belo dia o que está!", no que ela disse: "meu Pai que fez!", no que perguntou o moço: "quem é seu pai?" e ela respondeu: "O Rei dos reis" Ora vejam a fé da menina, ora vejam de onde ela brilha: a luz que dela reluz não vem de fatores outros senão da certeza de saber que seu Pai a tudo faz.
O tempo passa e as pessoas a cada dia ficam mais apaixonadas pelo jeito da menina, e acaba que começam a chamá-la de Princesa. Pronto, pegou o apelido. Título, não sei. Só sei que a menina fazia jus ao que a ela titularam. “Essa menina é uma princesa”; “jeito meigo e delicado como o de uma princesa”, as pessoas diziam.
E Talvez, as pessoas chamavam a menina de Princesa por ela ser filha do Rei dos reis, ou pelo seu modo de viver ou pelo jeito carinhoso de tratar as pessoas. Não se sabe bem, mas ela encantava e brilhava e, na verdade, todos esperavam o dia em que o Rei viria para buscá-la, pois esta era uma história que ela contava com tanta certeza que as pessoas estavam já acreditando. Ela dizia com frequência: "O Rei está voltando!".
Por Cleison Brugger e Lorena Freitas
Chegou ali e encantou. As pessoas da cidadezinha ficam bobas com o jeitinho encantador da jovem, ela é diferente, tem uma coisa a mais. Conta-se que, certa vez, um menino meio bobo veio puxar assunto, dizendo: "belo dia o que está!", no que ela disse: "meu Pai que fez!", no que perguntou o moço: "quem é seu pai?" e ela respondeu: "O Rei dos reis" Ora vejam a fé da menina, ora vejam de onde ela brilha: a luz que dela reluz não vem de fatores outros senão da certeza de saber que seu Pai a tudo faz.
O tempo passa e as pessoas a cada dia ficam mais apaixonadas pelo jeito da menina, e acaba que começam a chamá-la de Princesa. Pronto, pegou o apelido. Título, não sei. Só sei que a menina fazia jus ao que a ela titularam. “Essa menina é uma princesa”; “jeito meigo e delicado como o de uma princesa”, as pessoas diziam.
E Talvez, as pessoas chamavam a menina de Princesa por ela ser filha do Rei dos reis, ou pelo seu modo de viver ou pelo jeito carinhoso de tratar as pessoas. Não se sabe bem, mas ela encantava e brilhava e, na verdade, todos esperavam o dia em que o Rei viria para buscá-la, pois esta era uma história que ela contava com tanta certeza que as pessoas estavam já acreditando. Ela dizia com frequência: "O Rei está voltando!".
Por Cleison Brugger e Lorena Freitas
1 de janeiro de 2013
Ano Novo
Um cheiro bom está lá fora. Cheiro de novo. Deve ser o ano.
Que vento bom lá fora. Ao senti-lo, vi-o levando coisas e trazendo outras. Deve ser bonança.
Que criança linda lá fora. Deu um sorriso. Deu-me esperança que a vida acontece e continua.
Que dia bom lá fora. Dia esse que já se fez noite. Engraçado que ontem mesmo era um ano passado, e o hoje é o futuro do ontem que se foi. Ouço os passos de novos dias vindo à frente.
Que assunto bom lá fora. Pena que acabou, mas deu sinal de que continuaria. Que bom, pois temos muito o que conversar nestes dias que pela frente virão.
Que beijo lindo daquele casal. Parecem estar apaixonados. E eu pensando que o ano tinha levado a paixão. Ela veio e acontece. Há razões para sorrir e amar.
Que praça bonita ali na esquina. Tem um banco onde sentam velhos. E tem grama, onde sentam todos. Bom espaço para sentar e cantar.
Que vida boa que se vive, que às vezes parece ruim, mas na essência é boa sim. Num novo ano, viver traz medo, mas na essência traz novidades, e quem não ri com novidades? é certo que com os anos vem as dores, vem os filhos, vem canseira, vem grisalhos, vem tormentas. Mas duvido que alguém queira parar num ano velho, pois é no ano novo que as coisas acontecem.
Cleison Brügger
Que vento bom lá fora. Ao senti-lo, vi-o levando coisas e trazendo outras. Deve ser bonança.
Que criança linda lá fora. Deu um sorriso. Deu-me esperança que a vida acontece e continua.
Que dia bom lá fora. Dia esse que já se fez noite. Engraçado que ontem mesmo era um ano passado, e o hoje é o futuro do ontem que se foi. Ouço os passos de novos dias vindo à frente.
Que assunto bom lá fora. Pena que acabou, mas deu sinal de que continuaria. Que bom, pois temos muito o que conversar nestes dias que pela frente virão.
Que beijo lindo daquele casal. Parecem estar apaixonados. E eu pensando que o ano tinha levado a paixão. Ela veio e acontece. Há razões para sorrir e amar.
Que praça bonita ali na esquina. Tem um banco onde sentam velhos. E tem grama, onde sentam todos. Bom espaço para sentar e cantar.
Que vida boa que se vive, que às vezes parece ruim, mas na essência é boa sim. Num novo ano, viver traz medo, mas na essência traz novidades, e quem não ri com novidades? é certo que com os anos vem as dores, vem os filhos, vem canseira, vem grisalhos, vem tormentas. Mas duvido que alguém queira parar num ano velho, pois é no ano novo que as coisas acontecem.
Cleison Brügger
19 de novembro de 2012
Depoimento
Não quero estar alegre, eu quero ser feliz. Não quero sorrir, quero gargalhar. Não quero a metade, quero completo. Na verdade, quero tudo! ao invés de sentir saudade, prefiro sentir falta. Quando se sente falta, é sinal de que alguém importante é necessário aqui bem perto. Ao invés de um sorriso bobo, prefiro aquele malandro, atrevido. Ao invés de comprar, prefiro ganhar. Pra quê tentar ganhar o mundo, se o que eu quero está aqui bem perto? pra quê querer voar, se é aqui, no chão, na terra, que a vida acontece?
Não quero sentar ao lado, quero abraçar e dizer pro mundo que és minha e de mais ninguém. Não suporto o por detrás, prefiro o na cara, tete-a-tete. Não aceito o que vai, prefiro o vem. Não gosto de ir embora, mas gosto quando me arrumo pra ir de encontro àqueles que gosto de verdade e que quero pra vida toda. Em mulher, prefiro vestido. E que os homens só se apresentem vestidos também. Nada de extravagante, prefiro o modesto. Extravagância só no sorriso, na paixão e no amor.
Eu não procuro um gostar, procuro um amor. Não quero o que é breve, mas o que dura e faz bem. Não quero o que satisfaz agora mas que traz dores no fim. Prefiro esperar quieto para ver o que é melhor pra mim. Não busco um "tanto faz", eu quero um "isso aí!". Não quero gastar tudo o que tenho de melhor agora, mas prefiro esperar pra mais à frente investir. É certo que o futuro a Deus pertence, mas se eu agir namoral agora, posso ter prenúncios do que há de vir.
Do resto, prefiro o simples, que de tão simples parece belo. E não espere príncipes e princesas, nem estrelas e cometas do mundo além. Tudo acontece por aqui, nos caminhos e descaminhos, vilas e vilarejos, ruas e estradas disso que chamamos de vida.
Cleison Brügger
Não quero sentar ao lado, quero abraçar e dizer pro mundo que és minha e de mais ninguém. Não suporto o por detrás, prefiro o na cara, tete-a-tete. Não aceito o que vai, prefiro o vem. Não gosto de ir embora, mas gosto quando me arrumo pra ir de encontro àqueles que gosto de verdade e que quero pra vida toda. Em mulher, prefiro vestido. E que os homens só se apresentem vestidos também. Nada de extravagante, prefiro o modesto. Extravagância só no sorriso, na paixão e no amor.
Eu não procuro um gostar, procuro um amor. Não quero o que é breve, mas o que dura e faz bem. Não quero o que satisfaz agora mas que traz dores no fim. Prefiro esperar quieto para ver o que é melhor pra mim. Não busco um "tanto faz", eu quero um "isso aí!". Não quero gastar tudo o que tenho de melhor agora, mas prefiro esperar pra mais à frente investir. É certo que o futuro a Deus pertence, mas se eu agir namoral agora, posso ter prenúncios do que há de vir.
Do resto, prefiro o simples, que de tão simples parece belo. E não espere príncipes e princesas, nem estrelas e cometas do mundo além. Tudo acontece por aqui, nos caminhos e descaminhos, vilas e vilarejos, ruas e estradas disso que chamamos de vida.
Cleison Brügger
28 de março de 2012
Brasil, cada vez mais pobre
Em
contrapartida o Eike Batista estar ficando cada vez mais rico (esse é
um dos motivos de o Brasil estar se tornando cada vez mais pobre. Quando
um rico enriquece, um pobre empobrece ainda mais), o Brasil está
ficando cada vez mais pobre na graça, na espiritualidade, na poesia.
Como disseram, Chico Anysio e Millôr Fernandes desfalcaram
o time de gênios brasileiros. Dois grandes ícones do humor brasileiro
se foram. Um, fazia graça no fazer. Outro, graça fazia no escrever. E
eram mestres no que faziam!
Foi-se Chico. Foi-se Millôr. Foi-se uma parcela da pouca sanidade mental deste país. E - tendo em vista Millôr morrer exatos cinco dias depois de Chico - se ficar morrendo gênios por aí com 5 dias de intervalo, não sei o que será desta nação tupiniquim! E, de fato, isso me traz uma frustração considerável: os velhos desta terra estão morrendo! a nossa riqueza que, embora tenha passado da casa dos 80, está mais lúcida do que muito jovem de vinte por aí. Nossa gente da época da Ditadura e da 2ª Guerra estão partindo... as histórias destas épocas perderão a graça, visto que teremos que ler livros para sabê-las, já que não mais as ouviremos por eles ao pé do ouvido.
Chico sim sabia fazer humor! embora tenha humorista por aí afirmando que seu humor é ácido (ácido agora é sinônimo de ruim?), Chico nunca decepcionou ninguém! Que fique claro que Chico Anysio não foi um Ari Toledo
que deu certo. Chico compilou o humor desta nação, tanto que os
"produtores" o acharam velho demais, quando ele saiu do semgrassíssimo e
pedante Zorra Total, afirmando que mulheres boazudas sem graça não tem nada a ver com um programa de humor. Nosso gênio tinha caráter! Era o nosso Roberto Bolaños quando, num humor limpo (e não negro, como a nossa época tem aplaudido), fazia rir gente de todas as idades e aparências.
Millôr se for. Sarney ficou. E esse é um dos maiores motivos de dizer que o Brasil (de forma mais acentuada, o Maranhão), está ficando cada vez mais pobre, e viver nesta terra está perdendo sua graça. A gente que está ficando é corrupta demais, chata demais, insciente demais, exagerada demais. Nossos gênios estão indo embora, pois os padrões deste tempo, para eles, tornaram-se antagônicos, embora Millôr tenha tido sucesso no blog e twitter. Gênios sabem interagir com o seu tempo. Enfim, a TV perde sua graça e os jornais sua subversão. E isso me deixa profundamente triste. Como Millôr disse, a gente só morre uma vez. Mas é para sempre, e isso é desanimador, no que tange aos gênios. Mas sou otimista, já que, para Millôr, um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país. Com a expectativa de vida na casa dos 73, 2 anos, vamos vivendo nessa pátria amada chamada Brasil, lembrando dos gênios que morreram e tentando rir com essa patota que se diz humorista, embora vídeos amadores tenham tido mais sucesso do que programas consagrados, "e o salário ó?", como bem nos lembrava nosso eterno professor Raimundo que, enfim, terminou de lecionar aqui.
Cleison Brügger
Foi-se Chico. Foi-se Millôr. Foi-se uma parcela da pouca sanidade mental deste país. E - tendo em vista Millôr morrer exatos cinco dias depois de Chico - se ficar morrendo gênios por aí com 5 dias de intervalo, não sei o que será desta nação tupiniquim! E, de fato, isso me traz uma frustração considerável: os velhos desta terra estão morrendo! a nossa riqueza que, embora tenha passado da casa dos 80, está mais lúcida do que muito jovem de vinte por aí. Nossa gente da época da Ditadura e da 2ª Guerra estão partindo... as histórias destas épocas perderão a graça, visto que teremos que ler livros para sabê-las, já que não mais as ouviremos por eles ao pé do ouvido.
Chico sim sabia fazer humor! embora tenha humorista por aí afirmando que seu humor é ácido (ácido agora é sinônimo de ruim?), Chico nunca decepcionou ninguém! Que fique claro que Chico Anysio não foi um Ari Toledo
que deu certo. Chico compilou o humor desta nação, tanto que os
"produtores" o acharam velho demais, quando ele saiu do semgrassíssimo e
pedante Zorra Total, afirmando que mulheres boazudas sem graça não tem nada a ver com um programa de humor. Nosso gênio tinha caráter! Era o nosso Roberto Bolaños quando, num humor limpo (e não negro, como a nossa época tem aplaudido), fazia rir gente de todas as idades e aparências. Millôr se for. Sarney ficou. E esse é um dos maiores motivos de dizer que o Brasil (de forma mais acentuada, o Maranhão), está ficando cada vez mais pobre, e viver nesta terra está perdendo sua graça. A gente que está ficando é corrupta demais, chata demais, insciente demais, exagerada demais. Nossos gênios estão indo embora, pois os padrões deste tempo, para eles, tornaram-se antagônicos, embora Millôr tenha tido sucesso no blog e twitter. Gênios sabem interagir com o seu tempo. Enfim, a TV perde sua graça e os jornais sua subversão. E isso me deixa profundamente triste. Como Millôr disse, a gente só morre uma vez. Mas é para sempre, e isso é desanimador, no que tange aos gênios. Mas sou otimista, já que, para Millôr, um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país. Com a expectativa de vida na casa dos 73, 2 anos, vamos vivendo nessa pátria amada chamada Brasil, lembrando dos gênios que morreram e tentando rir com essa patota que se diz humorista, embora vídeos amadores tenham tido mais sucesso do que programas consagrados, "e o salário ó?", como bem nos lembrava nosso eterno professor Raimundo que, enfim, terminou de lecionar aqui.
Cleison Brügger
2 de fevereiro de 2012
Mudanças
As mudanças do homem - não em sua totalidade, é claro -, concernentes a si mesmo, começam quando ele ouve a respeito de si pela boca de outros. Se ouve que tem falhas no caráter, se propõe a melhorar. Se ouve que erra sobremodo, dá um jeito de acertar. Se ouve que é emburrado, tenta, então, ser feliz. Se ouve que é muito sério, logo depois vem vestido com camisa listrada (camisa listrada acaba com a seriedade!)
Não de todo, mas às vezes, é necessário ouvir a outros. Tem coisas sobre nós que só sabemos porque alguém nos disse (acredite! experiência própria). Existem chatices em nós que, se soubéssemos que eram chatices, jamais que as teríamos. Mas só sabemos que há, porque alguém as apontou.
Contudo, eu, particularmente, considero isso perigoso. Nem sempre opiniões e juizos de valor alheios devem se tornar diretrizes para a vida. Na verdade, quem te conhece de fato, senão você mesmo? Não digo com isso que a opinião dos outros é inválida. Na verdade, existem espinhos em nós que só percebemos quando os mesmos ferem a alguém. Mas saiba a quem ouvir. Tem gente que mal sabe o nosso nome, e mesmo assim quer meter o bedelho na maneira como deveríamos proceder, nos vestir ou a raça de cachorro que mais combina com a gente. Ouça aqueles que te conhecem! que sabe de suas manias, maneiras, mazelas. Ouça os que te ouvem. Quem jamais ouve outrém não é digno de ser ouvido falar.
É em vivendo que se aprende a viver. Ninguém jamais será um exímio paquerador se jamais uma segunda pessoa se apresentar para o colóquio. Só quero dizer que, antes de sair às ruas, conheça a si mesmo. Não há nada mais suspirante do que sair nas ruas e encontrar, na massa desenfreada, um alguém gentil, educado, sóbrio. É um acalento! Isso se dá porque antes do supracitado alguém ouvir a outros, ouviu a si mesmo. Em pensando fazer outros felizes, fez feliz a ele primeiro. Como alguém uma vez disse, "se você é solteiro e é infeliz, é porque nem você se aguenta". À parte os que sempre terão o que dizer de nós, é deveras essencial a auto-crítica. E se, depois disso, ainda ouvires rumores a respeito de ti, diga: "falem mal, falem bem, mas falem de mim". Tem gente que gasta tanto tempo falando dos outros, que não sobra tempo de olhar para si e mudar a si mesmo.
Cleison Brugger
Não de todo, mas às vezes, é necessário ouvir a outros. Tem coisas sobre nós que só sabemos porque alguém nos disse (acredite! experiência própria). Existem chatices em nós que, se soubéssemos que eram chatices, jamais que as teríamos. Mas só sabemos que há, porque alguém as apontou.
Contudo, eu, particularmente, considero isso perigoso. Nem sempre opiniões e juizos de valor alheios devem se tornar diretrizes para a vida. Na verdade, quem te conhece de fato, senão você mesmo? Não digo com isso que a opinião dos outros é inválida. Na verdade, existem espinhos em nós que só percebemos quando os mesmos ferem a alguém. Mas saiba a quem ouvir. Tem gente que mal sabe o nosso nome, e mesmo assim quer meter o bedelho na maneira como deveríamos proceder, nos vestir ou a raça de cachorro que mais combina com a gente. Ouça aqueles que te conhecem! que sabe de suas manias, maneiras, mazelas. Ouça os que te ouvem. Quem jamais ouve outrém não é digno de ser ouvido falar.
É em vivendo que se aprende a viver. Ninguém jamais será um exímio paquerador se jamais uma segunda pessoa se apresentar para o colóquio. Só quero dizer que, antes de sair às ruas, conheça a si mesmo. Não há nada mais suspirante do que sair nas ruas e encontrar, na massa desenfreada, um alguém gentil, educado, sóbrio. É um acalento! Isso se dá porque antes do supracitado alguém ouvir a outros, ouviu a si mesmo. Em pensando fazer outros felizes, fez feliz a ele primeiro. Como alguém uma vez disse, "se você é solteiro e é infeliz, é porque nem você se aguenta". À parte os que sempre terão o que dizer de nós, é deveras essencial a auto-crítica. E se, depois disso, ainda ouvires rumores a respeito de ti, diga: "falem mal, falem bem, mas falem de mim". Tem gente que gasta tanto tempo falando dos outros, que não sobra tempo de olhar para si e mudar a si mesmo.
Cleison Brugger
26 de janeiro de 2012
Salve, salve!
Salve a madrugada, salve o silêncio, salve o sono, salve a Coca, salve o trem e o barulho que faz aqui em frente.
Salve os amigos , salve o Salva e as comidas que ele faz.
Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.
Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.
Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.
Salve a malandragem, mas só a boa. Salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.
Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seus dribles, e a tortidão de suas pernas.
Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.
Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.
Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.
Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.
Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.
Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Drummond, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.
Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, salve Santa Teresa e o Catumbi.
Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, e a Guaranita também.
Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.
Fabricio Cunha
Salve os amigos , salve o Salva e as comidas que ele faz.
Salve a Vila, a Freguesia, salve o Chico, salve a poesia, salve os vestidos, salve a saudade, salve o passado, o presente e o futuro.
Salve os chatos, os legais e os mais ou menos. Os essenciais, salve e salve. Salve os grandes, salve os pequenos.
Salve Cartola, salve Tom e Vinícius, salve o samba e nos salve do pagode. Salve as rodas, as cantigas, os coretos e as marchinhas.
Salve a malandragem, mas só a boa. Salve o futebol, minhas pernas e meus dribles.
Salve a madrugada, as corujas e morcegos, salve as estrelas, salve Garrincha, seus dribles, e a tortidão de suas pernas.
Salve o mar, salve o vento, salve as fogueiras, os acampamentos, salve as conversas ao pé do ouvido, salve os amigos de ontem e de hoje.
Salve a lua, salve a lua, salve a lua, a cheia, a crescente e a nova, a minguante não. Salve a míngua da tristeza e a abundância da alegria.
Salve o Rio, salve o Rio, salve o Rio, seu solo, seu subsolo, seu mar, salve sua gente boa, salve sua alegria escancarada.
Salve o amor, salve a dor, salve a vida, salve os que dormem, aos que trabalham, salve aos que dormem no trabalho. Salve os que só dormem.
Salve o careca, salve o sarará, salve as crianças, salve o corriqueiro, o ordinário, salve o extraordinário, mas só de vez em quando.
Salve o alumbramento, salve Pessoa, salve Drummond, salve Veríssimo, mas só o Érico, salve o futebol, salve os olhos que enxergam, que também vejam.
Salve a minha noite, salve o açaí e tudo o que se faz com ele, salve o wifi, salve as redes abertas, salve a Vila Maria, salve Santa Teresa e o Catumbi.
Salve os Mercados Municipais do mundo todo, mas só os que servem pastel de queijo mineiro, salve a Tubaína, e a Guaranita também.
Salve o salve, salve os que salvam, salve o Salvador, salve a salvação, salve o salvar, salve e salve.
Fabricio Cunha
31 de dezembro de 2011
The End, 2011
Fim de percurso. Linha de chegada. Ponto final. É estranho acreditar que chegamos ao último dia do ano. Não sei para você, mas parece que dois mil e onze demorou a acabar. Na verdade, esta delimitação de tempo inventada pelo homem - horas, dias, meses, anos - com a funesta intenção de facilitar nossas vidas, acaba nos deixando ainda mais ansiosos. "Quando vai acabar", "quando vai começar" são alguns dos dilemas que enfrentamos com isso. Conheço alguns pessimistas que dizem que não há diferença alguma entre o 31 de Dezembro e o 1º de Janeiro. É só mais um dia. Nada muda, segundo eles. Eu discordo. Discordo não na forma, mas no que tange a essência. Existe um poder mágico - que não se faz por poderes celestes, mas no íntimo humano - que faz com que as pessoas façam promessas, almejem sonhos e tracem planos para o ano vindouro, e isso geralmente não acontece nos outros dias do ano. É só nesse mágico dia 31 de Dezembro - ou perto dele - que as pessoas começam a devanear, pensar, almejar, sonhar com o novo ano. Sou desses. Queira Deus que não sejamos frustrados.
Digo que seria ingratidão sair deste ano sem agradecer. Devo agradecer. Saio de dois mil e onze mais crescido, mais metido, mais amigo, mais humano, mais gentil, mais crítico, mais cético, mais sarcástico, mais de tudo um pouco. Vi amigos queridos casando, vi gente querida morrendo, vi gente amada chorando, vi gente de bem sorrindo. Vi tragédias, lamúrias, sofrimentos. No entanto, fui abraçado por crianças, fui acalentado em momentos de dor, conheci gente que quero pra sempre, fui aconselhado a viver mais um pouco, fui informado que a dor já passou.
Saio feliz pois sei que, neste ano, passei a fazer parte da vida de algumas pessoas. Cativei alguns poucos. Fiz gente sorrir com besteiras. Fiz gente chorar com a verdade. Calei muita gente insciente. Calei-me na minha insensatez. Parei para ouvir grandes homens. Outros, tive a honra de abraçar. A outros ainda, pude beijar a mão, em sinal de respeito. Chorei ao saber que alguns velhos se foram (e como se foram velhos este ano!). Perdemos gente ébria que o mundo aplaudiu, como Amy Winehouse. Perdemos gente sóbria que o mundo não era digno de tê-los, como Wilkerson e Stott. A estes últimos, quem os reporá?
Assim, dois mil e onze se vai. Olhando para tudo o que aconteceu, vejo a boa mão de Deus e a Sua mente soberana coordenando cada acontecimento. Aos cuidados do Senhor me ponho, e anelo a chegada deste novo ano. Os Maias disseram que o ano que está por vir será o último da existência humana. Aos que acreditam, sorte. Contudo, não procrastinarei. Vivendo o hoje e planejando o amanhã sigo, com uma viola qualquer, um Drummond no pensar e um café, bem quente e coado, por favor!
Um novo ano de paz para você!
Cleison Brugger.
Digo que seria ingratidão sair deste ano sem agradecer. Devo agradecer. Saio de dois mil e onze mais crescido, mais metido, mais amigo, mais humano, mais gentil, mais crítico, mais cético, mais sarcástico, mais de tudo um pouco. Vi amigos queridos casando, vi gente querida morrendo, vi gente amada chorando, vi gente de bem sorrindo. Vi tragédias, lamúrias, sofrimentos. No entanto, fui abraçado por crianças, fui acalentado em momentos de dor, conheci gente que quero pra sempre, fui aconselhado a viver mais um pouco, fui informado que a dor já passou.
Saio feliz pois sei que, neste ano, passei a fazer parte da vida de algumas pessoas. Cativei alguns poucos. Fiz gente sorrir com besteiras. Fiz gente chorar com a verdade. Calei muita gente insciente. Calei-me na minha insensatez. Parei para ouvir grandes homens. Outros, tive a honra de abraçar. A outros ainda, pude beijar a mão, em sinal de respeito. Chorei ao saber que alguns velhos se foram (e como se foram velhos este ano!). Perdemos gente ébria que o mundo aplaudiu, como Amy Winehouse. Perdemos gente sóbria que o mundo não era digno de tê-los, como Wilkerson e Stott. A estes últimos, quem os reporá?
Assim, dois mil e onze se vai. Olhando para tudo o que aconteceu, vejo a boa mão de Deus e a Sua mente soberana coordenando cada acontecimento. Aos cuidados do Senhor me ponho, e anelo a chegada deste novo ano. Os Maias disseram que o ano que está por vir será o último da existência humana. Aos que acreditam, sorte. Contudo, não procrastinarei. Vivendo o hoje e planejando o amanhã sigo, com uma viola qualquer, um Drummond no pensar e um café, bem quente e coado, por favor!
Um novo ano de paz para você!
Cleison Brugger.
24 de dezembro de 2011
Mais que nascimento, REDENÇÃO!
"Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o SENHOR" (Lucas 2.11).Nunca, em nenhum momento da história, o nascimento de alguém fora tão aguardado e esperado. Séculos antes de seu nascimento, já havia sido profetizado o local em que ele haveria de nascer (Mq. 5.2), já havia sido predito que uma virgem lhe conceberia e seu nome seria Emanuel ("Deus conosco" ou "Deus entre a gente", Is. 7.14). De fato, Jacó disse a Judá que o reinado estaria em suas mãos, "Até que viesse Siló" (Gn. 49.10), ou "aquele a quem, de fato, pertence o governo". Embora Davi fosse da tribo de Judá, viria um, também desta tribo, mais excelente que Davi. Quem seria este? Lucas, na narrativa do cap. 2, declara: "Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor". Este que estava nascendo, o Cristo, era o cumprimento da profecia de Gênesis 3.15, em que Deus diz que, da semente da mulher, viria um que feriria a cabeça da serpente, isto é, a Satanás. De fato, o Cristo veio para assumir o reinado; Ele é o "Leão da Tribo de Judá" (Ap. 5.5).
Mas o ponto onde muitos erram, é prender o Cristo para uma época específica, um lugar específico, um advento específico. É importante celebrarmos o nascimento de Cristo, mas o que não podemos fazer é limitá-lo a este evento. Ele não veio apenas para nascer e ficar mundialmente reconhecido porque uma estrela pairou sobre o lugar onde ele havia nascido. Pelo contrário, o nascimento é o começo da mais importante história da humanidade. É o início de um grande acontecimento que, ainda hoje, afeta a maneira como vivemos, pensamos e cremos. No nascimento começa, não termina.
A grande verdade é que, naquela noite, no pequeno vilarejo de Belém Efrata, Deus estava enviando Seu Filho. Cristo, o Filho de Deus, estava vindo à terra em condição humana. Em Filipenses, leremos que "embora sendo Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas rebaixou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um Nome que está acima de todo o nome, para que, ao Nome de Jesus, se dobre todo o joelho e toda lingua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Fp. 2. 6-11). Esse é um dos textos mais impressionantes e maravilhosos do NT. De fato, Cristo veio ao mundo: 1) glorificar o Pai; 2) satisfazer a justiça de Deus; 3) salvar homens pecadores (eu, você, nós!) 4) reconciliar-nos com Deus 5) Livrar-nos da justa ira de Deus etc. O Filho de Deus fez-se homem (gr. Teantropos, Deus e homem, numa mesma substância), a fim de redimir os que estavam em trevas e trazer para sua maravilhosa luz.
Por isso, que o Natal sirva para que você, ao olhar para a manjedoura, consiga fitar seus olhos diretamente na cruz. A manjedoura existe por causa da cruz, e não o contrário. A morte é, sem dúvida, mais importante que o nascimento, mas consideramos que, sem nascimento, não haveria sequer morte. Por isso, comemoramos a ENCARNAÇÃO de Cristo (esse é o real motivo de comemoração dos critãos), pois ao vê-lo nascendo, percebemos que Ele nos amou, pois "fez-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp. 2. 7-8).
Que o Cordeiro que foi morto receba a recompensa de seus sacrifícios. Solus Christus!
Feliz Natal com Cristo,
Cleison Brugger
9 de dezembro de 2011
Dezembro
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| Imagem por Gregory Rocha |
Alguns vão às compras só por inveja, outros porque já é de praxe. Algumas pessoas ficam mais sociáveis no mês de dezembro, só pra que o "feliz natal" e "feliz ano novo" não soe muito falso e a consciência não fique martelando. A verdade é que chega dezembro, mas as amizades falsas continuam, os assassinatos também e a morte não tira folga. Ninguém muda em dezembro. Desafio você a, pelo menos, lembrar das coisas que você prometeu fazer dezembro passado. Bem, se você não lembra, quanto menos cumprir o que prometeu a si mesmo (ou a outrem). Decerto, dezembro não é um mês mágico.
Mas, de fato, não é o pior do meses. Talvez seja o melhor dos doze. É em dezembro que fechamos pra balanço, que fazemos projetos (por menores que sejam) para o próximo ano (coisa que não fazemos nos outros meses). É em dezembro que a ficha de que o ano está findando e você não fez metade do que deveria, cai. Dezembro é pura melancolia à noite, como também, é pura correria ao dia. Em dezembro, temos que ter cuidado ao dar a desculpa: "deixa pro ano que vem...", pois o ano que vem, vem logo ali. É em dezembro que bate o desespero: "como será o ano que vem? será que eu caso, fico rico(a), escrevo um livro, bato as botas...?". É em dezembro que as coisas precisam se acertar.
Dezembro é o resumo do trabalho, é a conclusão da redação. Dezembro é o mês em que olhamos para trás e não lembramos nem quem fomos em janeiro. E, para cunho meramente informativo, dezembro é o único mês que, ao mesmo tempo, está perto e distante de janeiro. É, de fato, um mês confuso.
De fato, as pessoas esperam que o ano que está para vir, seja melhor que o ano em que estamos. Você já pensou na possibilidade de que, todo ano, sempre pensamos assim? nunca está bom o suficiente! Mas, na verdade, enquanto nós esperamos que o ano que está por vir seja melhor, o ano que vem espera que nós é que sejamos melhores. Querer que o ano mude é interessante, mas o dever de mudar é nosso. Jocosamente, parece que é intrínseco ao humano: até quando as coisas não vão bem, a culpa é colocada no lombo do ano que está, dizendo que o ano foi péssimo e que o destino lhe estava virado. Ora, vire homem e assuma seus erros. As coisas não foram bem, porque você não foi bom o suficiente para mudar as coisas.
Então, o conselho nesse dezembro é o que vem a seguir: quando as taças, no ano novo, estiverem para brindar e alguém propôr: "vamos tomar champagne pra comemorar?", diga pra quem propôs: "que tal, antes do champagne, tomarmos tenência, a fim de que não comemoremos apenas o hoje, mas também, os próximos dias que teremos que viver?"
Talvez você seja odiado na festinha e ninguém te dê presente, mas dê de ombros. Essa festinha tem todo dezembro, e o outro dezembro daqui a pouco está chegando, novamente.
BRUGGER, C.
23 de novembro de 2011
Apatia
Sentado a respirar, penso. Pensando em sentar, respiro. Respirando e pensando, sento.
"-O que tens?", pergunta o passante. Não sei bem. Uma mistura de dias escabrosos, noites em claro, tardes chuvosas e flores sem cheiro. "-A vida como um todo anda tão sem cheiro", comenta o passante. Concordo. Parece que as raças perdeu, cada uma, sua cor. De pele negra, branca ou parda, tudo o vejo é preto-e-branco. Perdeu-se a cor. Perdeu-se o cheiro. Perdeu-se o sabor.
"-O sabor de quê?", pergunta o passante. Da vida, das coisas, das pessoas. Vivemos dias em que gostoso e delicioso têm conotação pejorativa, enquanto antes, estes vocáculos eram empregados para expressar um dia bem respirado ou um bebê de meses, com a bochecha rosada.
"-O que mudou?" questiona o passante. Não vês? és de outro mundo? não sabes o que mudou? você, eu, a vida! Respiramos ofegantes, parecendo que estamos vivendo obrigados. Para muitos, acabou-se o prazer. Quem come jamelão, faz cara de que comeu algo azedo. Quem come marmelada, não mais se lambuza, pervertendo o ditado. Quem ri para alguém, corre risco de morte, pois o alvo do riso, achou que o outro riu de deboche. Tudo mudou, passante, tudo!
"-E o que esperas?", me diz o passante. Espero que este Augusto dos Anjos saia de mim! tenho visto tudo tão dramaticamente. Mas não sem razão. As coisas têm me levado a estes caminhos. Por um pouco, e já chamo o doutor para cortar minha singularíssima pessoa!
"-Sorte na vida!", deseja o passante, despedindo-se. Espera, passante! nem mesmo um café? o colóquio foi tão seco... Ora, nem mesmo o passante suportou o gosto da minha aridez. Decerto, ele é igual a todo mundo. Sem cheiro, sem sabor, sem cor. Que se vá! Augusto, não atente para o que escrevi acima, e fique mais um pouco.
BRUGGER, Cleison.
"-O que tens?", pergunta o passante. Não sei bem. Uma mistura de dias escabrosos, noites em claro, tardes chuvosas e flores sem cheiro. "-A vida como um todo anda tão sem cheiro", comenta o passante. Concordo. Parece que as raças perdeu, cada uma, sua cor. De pele negra, branca ou parda, tudo o vejo é preto-e-branco. Perdeu-se a cor. Perdeu-se o cheiro. Perdeu-se o sabor.
"-O sabor de quê?", pergunta o passante. Da vida, das coisas, das pessoas. Vivemos dias em que gostoso e delicioso têm conotação pejorativa, enquanto antes, estes vocáculos eram empregados para expressar um dia bem respirado ou um bebê de meses, com a bochecha rosada.
"-O que mudou?" questiona o passante. Não vês? és de outro mundo? não sabes o que mudou? você, eu, a vida! Respiramos ofegantes, parecendo que estamos vivendo obrigados. Para muitos, acabou-se o prazer. Quem come jamelão, faz cara de que comeu algo azedo. Quem come marmelada, não mais se lambuza, pervertendo o ditado. Quem ri para alguém, corre risco de morte, pois o alvo do riso, achou que o outro riu de deboche. Tudo mudou, passante, tudo!
"-E o que esperas?", me diz o passante. Espero que este Augusto dos Anjos saia de mim! tenho visto tudo tão dramaticamente. Mas não sem razão. As coisas têm me levado a estes caminhos. Por um pouco, e já chamo o doutor para cortar minha singularíssima pessoa!
"-Sorte na vida!", deseja o passante, despedindo-se. Espera, passante! nem mesmo um café? o colóquio foi tão seco... Ora, nem mesmo o passante suportou o gosto da minha aridez. Decerto, ele é igual a todo mundo. Sem cheiro, sem sabor, sem cor. Que se vá! Augusto, não atente para o que escrevi acima, e fique mais um pouco.
BRUGGER, Cleison.
17 de novembro de 2011
Só um é amor. O resto é conversa.
É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chopp é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco
de domingo, nas festas agendadas no calendário, quando se vê de vez em
quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em
mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E perde o charme. O prazo.
A identidade. A coerência. O rebolado. Nessas horas é que se vê o
verdadeiro amor, aquele que é companheiro, que quer o bem acima de
qualquer coisa. E é esse o amor que dura pra sempre. Na verdade esse é o
único que pode ser chamado AMOR!
Ana Jiácomo
27 de outubro de 2011
Um pouco de cada fase.
- Você mudou!, diz alguém, sorridente, olhando seus cabelos.
- Você mudou, diz outro alguém, este cabisbaixo, tentando não chorar.
Mas, a bem da verdade, o que dizes de ti mesmo? mudaste, de fato? se sim, com exclamação ou sem? (se não entendeu, perceba a diferença das frases que, acima, aparentam ser iguais).
Vivemos mudando, uns pra mal, outros pra bem, mas mudar é inevitável. Vivemos num mundo onde lagarta vira borboleta, onde gente nasce sem dente, cresce e com ele os dentes e quando está pra morrer, cadê os dentes? se foram de novo! As coisas mudam, o tempo passa, a vida é breve!
Certo dia, ouvi de alguém: "você mudou, não é mais o mesmo". Bem, como dito acima, dependendo da perspectiva, pode ser tanto uma crítica como um elogio. Mas fui sábio o suficiente para discernir o que era, de fato. Depois dessa constatação, que eu mesmo já havia feito antes, fiquei numa linha tênue, entre o ir e o voltar: não sei se volto a uns quatro quarteirões e tento achar quem fui e hoje deixei de ser ou se continuo andando, e por conseguinte mudando, até achar quem realmente sou. Há momentos, que me acho completamente formado, mas não demora muito e me sinto completando imaturo. Não sabemos o que somos, não sabemos quem fomos, só sabemos que mudamos.
Olhamos aquela nossa foto, antiga coitada, e constatamos aliviados: - Graças a Deus, eu mudei! Mas então vem a consciência, não sei se pesada ou leve, não sei por quem enviada, e nos questiona: mudastes pra mal ou pra bem (dizer só da aparência não vale!). E seu sorriso, mudou? aliás, seus motivos de sorrir, mudaram? mais aliás ainda, sua vida, como está? tem gente que muda tanto, que chega num estágio de 'evolução' que se fizerem um antes e depois dela, diriam: é impossivel que ela tenha sido assim pra chegar a ser o que é hoje!
Que a vida mude, não eu. Quero ter um pouquinho de mim ao passo que eu for crescendo. Para ser mais poético (ou coerente, sei lá), quero um pouco de cada fase. Quero ter o sorriso da criança que fui (só pode escolher uma coisa?), a subversividade da adolescência, a facilidade do amar da juventude, a seriedade da vida adulta e da terceira idade... quando eu chegar lá, digo o quero dela.
BRUGGER, Cleison.
- Você mudou, diz outro alguém, este cabisbaixo, tentando não chorar.
Mas, a bem da verdade, o que dizes de ti mesmo? mudaste, de fato? se sim, com exclamação ou sem? (se não entendeu, perceba a diferença das frases que, acima, aparentam ser iguais).
Vivemos mudando, uns pra mal, outros pra bem, mas mudar é inevitável. Vivemos num mundo onde lagarta vira borboleta, onde gente nasce sem dente, cresce e com ele os dentes e quando está pra morrer, cadê os dentes? se foram de novo! As coisas mudam, o tempo passa, a vida é breve!
Certo dia, ouvi de alguém: "você mudou, não é mais o mesmo". Bem, como dito acima, dependendo da perspectiva, pode ser tanto uma crítica como um elogio. Mas fui sábio o suficiente para discernir o que era, de fato. Depois dessa constatação, que eu mesmo já havia feito antes, fiquei numa linha tênue, entre o ir e o voltar: não sei se volto a uns quatro quarteirões e tento achar quem fui e hoje deixei de ser ou se continuo andando, e por conseguinte mudando, até achar quem realmente sou. Há momentos, que me acho completamente formado, mas não demora muito e me sinto completando imaturo. Não sabemos o que somos, não sabemos quem fomos, só sabemos que mudamos.
Olhamos aquela nossa foto, antiga coitada, e constatamos aliviados: - Graças a Deus, eu mudei! Mas então vem a consciência, não sei se pesada ou leve, não sei por quem enviada, e nos questiona: mudastes pra mal ou pra bem (dizer só da aparência não vale!). E seu sorriso, mudou? aliás, seus motivos de sorrir, mudaram? mais aliás ainda, sua vida, como está? tem gente que muda tanto, que chega num estágio de 'evolução' que se fizerem um antes e depois dela, diriam: é impossivel que ela tenha sido assim pra chegar a ser o que é hoje!
Que a vida mude, não eu. Quero ter um pouquinho de mim ao passo que eu for crescendo. Para ser mais poético (ou coerente, sei lá), quero um pouco de cada fase. Quero ter o sorriso da criança que fui (só pode escolher uma coisa?), a subversividade da adolescência, a facilidade do amar da juventude, a seriedade da vida adulta e da terceira idade... quando eu chegar lá, digo o quero dela.
BRUGGER, Cleison.
13 de outubro de 2011
Olhem para as crianças.
Uma angústia no íntimo. Um desejo de abandonar as afeições. Não suporto o fato de maquiar tristeza com um sorriso. Se você é falso a este ponto, parabéns! só um grande artista consegue esta proeza. Ultimamente, meus pensamentos têm entrado em conflito. No que crer, no que ser, como ser... o que amar, a quem amar, como amar...
Sinto falta de atos. Cansei das palavras. Nossa gente fala demais e isso me dá náuseas. Ao invés de dizer amor, porque não amar sem dizer? ao invés de dizer por trás, porque não damos as mãos e dizemos: "não me importa suas falhas, pois também as tenho, talvez mais que você"?
Na verdade, o que sinto é carência. Carência de sinceridade. Hoje tudo é tão falso, que de vez em sempre me convenço que o planeta em que vivo é postiço. Há tanta superficialidade, tantos risos na fronte e tanto ódio por detrás... e o pior é que quem faz estas coisas não é um cara que você conhece de vista, mas muita das vezes amigos, pessoas que você estima acima de qualquer suspeita. É estranho viver num mundo onde os semelhantes se acham superiores. É difícil viver numa esfera de indiferença e falsidade, quando as pessoas se parecem e a única coisa que os diferencia é a cor. Temos a mesma origem. Temos um mesmo destino. Todos viemos de ventres maternos. Todos iremos ao seio da morte.
Já parou para pensar que as coisas que julgamos boas, às vezes cansam? afagos cansam, elogios cansam, abraços cansam, rir cansa, palavras cansam. Mas o que não me cansa é a sinceridade. Pois para mim (e, creio, para você) afagos sinceros, elogios sinceros, abraços sinceros, risos sinceros e palavras sinceras jamais cansarão. Percebe que se as coisas fluirem pelo canal da sinceridade, as outras coisas poderão não ser tão intediantes como, por incrível que pareça, podem vir a ser?
Por isso gosto de crianças. Elas são sinceras. Um riso de criança é bonito (mesmo que faltem os dentes da frente), porque é sincero. Dá prazer de ver crianças brincarem porque há sinceridade. Me emociono com um beijo um ou abraço de uma criança, porque é a forma mais autêntica de sinceridade. Não é à toa que o Mestre ensinou: "sejam como crianças, elas têm muito a ensinar a vocês, raça de víboras!", que destilam veneno pelo prazer, sem se importar se a presa viveu ou morreu. Que tempos os nossos!
BRUGGER, Cleison.
Sinto falta de atos. Cansei das palavras. Nossa gente fala demais e isso me dá náuseas. Ao invés de dizer amor, porque não amar sem dizer? ao invés de dizer por trás, porque não damos as mãos e dizemos: "não me importa suas falhas, pois também as tenho, talvez mais que você"?
Na verdade, o que sinto é carência. Carência de sinceridade. Hoje tudo é tão falso, que de vez em sempre me convenço que o planeta em que vivo é postiço. Há tanta superficialidade, tantos risos na fronte e tanto ódio por detrás... e o pior é que quem faz estas coisas não é um cara que você conhece de vista, mas muita das vezes amigos, pessoas que você estima acima de qualquer suspeita. É estranho viver num mundo onde os semelhantes se acham superiores. É difícil viver numa esfera de indiferença e falsidade, quando as pessoas se parecem e a única coisa que os diferencia é a cor. Temos a mesma origem. Temos um mesmo destino. Todos viemos de ventres maternos. Todos iremos ao seio da morte.
Já parou para pensar que as coisas que julgamos boas, às vezes cansam? afagos cansam, elogios cansam, abraços cansam, rir cansa, palavras cansam. Mas o que não me cansa é a sinceridade. Pois para mim (e, creio, para você) afagos sinceros, elogios sinceros, abraços sinceros, risos sinceros e palavras sinceras jamais cansarão. Percebe que se as coisas fluirem pelo canal da sinceridade, as outras coisas poderão não ser tão intediantes como, por incrível que pareça, podem vir a ser?
Por isso gosto de crianças. Elas são sinceras. Um riso de criança é bonito (mesmo que faltem os dentes da frente), porque é sincero. Dá prazer de ver crianças brincarem porque há sinceridade. Me emociono com um beijo um ou abraço de uma criança, porque é a forma mais autêntica de sinceridade. Não é à toa que o Mestre ensinou: "sejam como crianças, elas têm muito a ensinar a vocês, raça de víboras!", que destilam veneno pelo prazer, sem se importar se a presa viveu ou morreu. Que tempos os nossos!
BRUGGER, Cleison.
7 de outubro de 2011
Em um minuto.
Em um minuto se nasce, em um minuto se morre. Em um minuto, se escreve um poema. Em um minuto, se projeta um esquema. Há um minuto atrás, tínhamos um presente que virou passado. O próximo minuto que vem, é um futuro que de teimoso tornar-se-á presente.
Em um minuto, posso te fazer sorrir. Em um minuto, consigo te fazer chorar. Basta um minuto, para que tudo dê errado. Aguarde um minuto, e as coisas podem dar certo. Percebeu que na frase "Em um minuto", aparecem três Emes? pois bem, detalhes se percebe em um minuto. Quanto tempo, de brincadeira, você ficou sem respirar? digo por mim, não passo de um minuto. Em um minuto, rico se faz pobre. Em um minuto, pobre se faz rico. Em um minuto, brincadeira pode levar à morte. Em um minuto, uma desavença pode ser apartada e resolvida. Em um minuto se conquista um amigo. Em um minuto se faz um inimigo.
Em um minuto conseguimos ferir um coração. Também em um minuto, pode sair da boca a frase: "te peço perdão". Em um minuto, se arraiga o ódio. Em um minuto, se dissemina a alegria. Quando se faz o que se gosta, um minuto é muito pouco. Quando fazemos o que odiamos, eternizamos um minuto. Para se levantar da cama, como valorizamos um minuto! para se deitar com insônia, um minuto é um suplício.
Festejamos, ano a ano, nossos aniversários. De ano em ano, somamos um ano a nossa vida. Mas não vivemos de ano a ano, mas de dia a dia, ou mais precisamente, de minuto a minuto. Um minuto parece pouco para resolver toda uma vida? diga isso para a morte, que num minuto desses qualquer, baterá a nossa porta. Tenho a forte impressão de que quem negligencia seus minutos, ainda não aprendeu o que fazer com sua vida. Não sabem esses de que apenas um minuto é necessário e, geralmente, decisivo. Em um minuto se decide o que em um ano não seríamos capazes de decidir.
BRUGGER, Cleison.
Em um minuto, posso te fazer sorrir. Em um minuto, consigo te fazer chorar. Basta um minuto, para que tudo dê errado. Aguarde um minuto, e as coisas podem dar certo. Percebeu que na frase "Em um minuto", aparecem três Emes? pois bem, detalhes se percebe em um minuto. Quanto tempo, de brincadeira, você ficou sem respirar? digo por mim, não passo de um minuto. Em um minuto, rico se faz pobre. Em um minuto, pobre se faz rico. Em um minuto, brincadeira pode levar à morte. Em um minuto, uma desavença pode ser apartada e resolvida. Em um minuto se conquista um amigo. Em um minuto se faz um inimigo.
Em um minuto conseguimos ferir um coração. Também em um minuto, pode sair da boca a frase: "te peço perdão". Em um minuto, se arraiga o ódio. Em um minuto, se dissemina a alegria. Quando se faz o que se gosta, um minuto é muito pouco. Quando fazemos o que odiamos, eternizamos um minuto. Para se levantar da cama, como valorizamos um minuto! para se deitar com insônia, um minuto é um suplício.
Festejamos, ano a ano, nossos aniversários. De ano em ano, somamos um ano a nossa vida. Mas não vivemos de ano a ano, mas de dia a dia, ou mais precisamente, de minuto a minuto. Um minuto parece pouco para resolver toda uma vida? diga isso para a morte, que num minuto desses qualquer, baterá a nossa porta. Tenho a forte impressão de que quem negligencia seus minutos, ainda não aprendeu o que fazer com sua vida. Não sabem esses de que apenas um minuto é necessário e, geralmente, decisivo. Em um minuto se decide o que em um ano não seríamos capazes de decidir.
BRUGGER, Cleison.
22 de setembro de 2011
Idílio.
Noites vêm, noites vão e ela não sai das minhas lembranças. Ela quem, pergunta o inchirido? quem eu (ou tu) achar por bem ser. De fato, nem tudo o quero, possuo, como nem tudo o que possuo, desejo, de fato, ter. Há coisas que precisamos ter e não temos nem um bucado, nem uma gota sequer pra sanar a sede, mas aquilo a qual não precisamos ter, isso temos a flux.
Sim, afirmo que preciso de amor. Leia bem, preciso de amor, não um amor. Não quero dizer com isso que fiz o voto do celibato, mas quero asseverar que de nada adianta ter um amor, se não tenho o amor. Como amar sem amor? seria como saciar a sede numa fonte que há muito secou-se. Aliás, nesses tempos de estranheza quanto ao tipo humano e incertezas do quem é quem, há tantos corações onde a fonte do amor se secou, que para os tais amar é somente (e apenas) um verbo transitivo direto.
Na verdade, preciso de um amor idílico, bucólico, juvenil, suave. idílico no dar e ter de volta, bucólico por me fazer lembrar das flores, juvenil por me fazer saber o que é a vida e suave, por me fazer ouvir, mesmo sem ter musica, sustenidos e bemóis. Quero amar e saber o porquê estou amando. Quero reciprocidade, dar e receber, numa mesma sintonia. Quero um amor poético, que me faça suspirar, devanear, sonhar, fantasiar. Dançar uma melodia, bailando, eu comigo mesmo, ou eu com a morena que mora na rua das margaridas, ou eu com a chuva do veraneio. Não importa com quem. O que importa é estar acompanhado.
Portanto, pode-se perguntar: "queres se enamorar?" talvez. "Queres uma paixão?" aceito, certamente. Mas não quero me enamorar e ter uma paixão apenas com alguém, mas com alguns e também com coisas. Quero rir da e com a vida. Quero escrever poesia olhando a chuva; quero sentir uma nortada e saber que sou querido; quero esquecer-me de mim e lembrar que, se eu der amor, serei retribuido, quer com abraços, quer com carinhos, quer com um simplório sorriso.
BRUGGER, Cleison.
Sim, afirmo que preciso de amor. Leia bem, preciso de amor, não um amor. Não quero dizer com isso que fiz o voto do celibato, mas quero asseverar que de nada adianta ter um amor, se não tenho o amor. Como amar sem amor? seria como saciar a sede numa fonte que há muito secou-se. Aliás, nesses tempos de estranheza quanto ao tipo humano e incertezas do quem é quem, há tantos corações onde a fonte do amor se secou, que para os tais amar é somente (e apenas) um verbo transitivo direto.
Na verdade, preciso de um amor idílico, bucólico, juvenil, suave. idílico no dar e ter de volta, bucólico por me fazer lembrar das flores, juvenil por me fazer saber o que é a vida e suave, por me fazer ouvir, mesmo sem ter musica, sustenidos e bemóis. Quero amar e saber o porquê estou amando. Quero reciprocidade, dar e receber, numa mesma sintonia. Quero um amor poético, que me faça suspirar, devanear, sonhar, fantasiar. Dançar uma melodia, bailando, eu comigo mesmo, ou eu com a morena que mora na rua das margaridas, ou eu com a chuva do veraneio. Não importa com quem. O que importa é estar acompanhado.
Portanto, pode-se perguntar: "queres se enamorar?" talvez. "Queres uma paixão?" aceito, certamente. Mas não quero me enamorar e ter uma paixão apenas com alguém, mas com alguns e também com coisas. Quero rir da e com a vida. Quero escrever poesia olhando a chuva; quero sentir uma nortada e saber que sou querido; quero esquecer-me de mim e lembrar que, se eu der amor, serei retribuido, quer com abraços, quer com carinhos, quer com um simplório sorriso.
BRUGGER, Cleison.
28 de agosto de 2011
Se foram.
Sabe da tia Laudilina? então, partiu.
Sabe do menino com o qual se brincava na rua?
pois bem, cresceu e foi trabalhar.
Sabe do armazém da esquina no qual se comprava besteiras?
faz um tempo, se fechou.
Sabe daquela roupa, com listras azul e vermelho, que tanto gostava?
por descuido, rasgou-se.
Sabe daquele dia em brincamos de esconder entre as plantas do quintal?
então, ele não voltará.
Sabe do dia em que, voltando do colégio, sentamos na rua e sentimos da chuva?
que lembrança, não?
Sabe dos amigos que antes estavam e agora se foram?
lembranças deixaram e lágrimas também.
Sabe do sorriso e gargalhadas que dávamos com eles?
certamente, não são os mesmos hoje!
Tanta coisa se foi, tanta lembrança ficou e tanta saudade deixou...
Na verdade, quem os deixou ir? quem deu permissão para que se retirassem? Ora, não me despedi adequadamente. Faltou dar um adeus bem dado, um "obrigado por tudo" e um abraço acalorado.
Agora, o que restam são lágrimas e lembranças. Ah, e um futuro, que me traz a esperança de rever os que partiram e chorar lágrimas de alegria e nostalgia.
Vida, breve vida.
Cleison Brugger
Sabe do menino com o qual se brincava na rua?
pois bem, cresceu e foi trabalhar.
Sabe do armazém da esquina no qual se comprava besteiras?
faz um tempo, se fechou.
Sabe daquela roupa, com listras azul e vermelho, que tanto gostava?
por descuido, rasgou-se.
Sabe daquele dia em brincamos de esconder entre as plantas do quintal?
então, ele não voltará.
Sabe do dia em que, voltando do colégio, sentamos na rua e sentimos da chuva?
que lembrança, não?
Sabe dos amigos que antes estavam e agora se foram?
lembranças deixaram e lágrimas também.
Sabe do sorriso e gargalhadas que dávamos com eles?
certamente, não são os mesmos hoje!
Tanta coisa se foi, tanta lembrança ficou e tanta saudade deixou...
Na verdade, quem os deixou ir? quem deu permissão para que se retirassem? Ora, não me despedi adequadamente. Faltou dar um adeus bem dado, um "obrigado por tudo" e um abraço acalorado.
Agora, o que restam são lágrimas e lembranças. Ah, e um futuro, que me traz a esperança de rever os que partiram e chorar lágrimas de alegria e nostalgia.
Vida, breve vida.
Cleison Brugger
25 de agosto de 2011
O rosto de Deus
O rosto de Deus reflete glória, majestade, beleza, esplendor, bondade, magnitude, amor, mas também reflete ira, furor, ódio e impetuosidade, tudo isto numa mesma intensidade. Se o amor de Deus é plenamente abundamente, também o é sua ira; se a afeição de Deus é perfeitamente ampla, também o é seu furor. Quando as Escrituras dizem que "Deus é amor" e que "Deus é ira", está nos mostrando que Deus é plenamente abundante em todos os seus atributos. Deus não é mais amor do que ira e vice-versa. Se Deus é perfeito, então todos os seus atributos também o são, sem tirar, nem por. Só existe uma diferença entre um e outro: o Seu amor dura para sempre (Sl. 136.1), mas a Sua ira, dura só um momento (Sl. 30.5). Contudo, a mesma disposição que temos em receber o amor do Eterno, não tenhamos em receber Sua ira. Tal qual um Sol que da calma manhã até o crepúsculo do dia, raia com sua imponência, assim é o amor e a ira de Deus: faz toda a diferença se você sente o raiar do Sol às 9 da manhã, do que às 3 horas da tarde. É o mesmo Sol, numa mesma intensidade (ele não é mais Sol à tarde do que de manhã), só muda o período.
Enquanto pecadores e, por natureza, filhos da ira (Ef. 2.3), o nosso clamor a Deus é: "esconde a tua face dos meus pecados" (Salmo 51.9b), pois "o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles" (Sl. 34.16-NVI) e ainda "os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal" (IPd. 3.12). A face do Senhor é santa e, por esta razão, o pecador não consegue olhar para ela. Diante da face do Senhor, os homens tremem (Ez. 38.20).
Mas quando somos atraídos a Cristo pelo Pai (Jo. 6.44) e, assim, cremos e confessamos acerca de Jesus: " Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" ( Mt 16.16), o Espírito Santo comunica ao nosso coração para que possamos ter condições de olhar para a Face de Deus: "Quando tu disseste: Buscai o minha face; o meu coraçäo disse a ti: A tua face, SENHOR, buscarei" (Sl. 27.8).
A partir disto, passamos a ter prazer na santa face de Deus e conseguimos olhar para ela, pois para os salvos "na luz do rosto do rei está a vida" (Pv. 16.15) e, por isso, clamamos como Davi: "faze a luz do teu rosto brilhar sobre nós" (Sl. 4.6b), pois da luz do rosto de Deus emana vida, glória, graça, beleza, virtude e tudo o que é santo, bom, belo e agradável. Assim como a intensidade do Sol é a mesma, mas fará diferença se olharmos para o Sol às 7 da manhã e às 3 da tarde, assim a intensidade do rosto de Deus é a mesma, mas enquanto os pecadores dizem: "afasta de nós o Teu rosto", os santos clamam: "faze brilhar sobre nós a luz da Tua face". O sol é apenas uma pequena faísca comparado ao brilho do nosso Redentor.
"E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece" (Ap. 1. 13-16).
Preparemo-nos para encontrá-Lo face a face (ICo. 13.12), tal como Moisés O viu (Ex. 33.11).
Cleison Brugger
20 de agosto de 2011
Eu quero ser feliz agora(!) - Oswaldo Montenegro
Ouça esta bela canção metafórica do cantor, compositor e poeta Oswaldo Montenegro. Vale muito a pena ouvir. Na minha opinião, é claro.
Se alguém disser pra você não cantar
Deixar seu sonho ali pro um outra hora
Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz Agora
Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver.
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferre, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover.
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela...
Eu quero ser feliz agora
Se alguém disser pra você não cantar
Deixar seu sonho ali pro um outra hora
Que a segurança exige medo
E que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora, que volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz Agora
Deixar seu sonho ali pro um outra hora
Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz Agora
Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver.
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferre, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover.
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela...
Eu quero ser feliz agora
Se alguém disser pra você não cantar
Deixar seu sonho ali pro um outra hora
Que a segurança exige medo
E que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora, que volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz Agora
13 de agosto de 2011
Vida no sertão
Eis que ela vem e logo perdemo-la ali. Eis que ela vai e brevemente virá em regresso. Dizem por ai, mas precisamente pelas campinas de Araxá, que essa tal é a última a ser morta, embora poucos já viram, um dia, essa bendita morrer. Uns dizem que constataram sua morte na rua dos conselheiros, mas provas do fato não há. Outros dizem que poucos dias depois de ter sabido da morte da dita cuja, a viram perambular pelas ruas do sertão. Se morre, não sei, mas que vive, é indubitável.
A vida no sertão é difícil. Marias e Severinas com seus bacuris no colo, magrelos, famintos, com bicho do pé e barriga d'água. Sentadas na soleira ficam, esperando os Joãos e Josefos chegar. Embora a notícia de antemão se anuncia (por horas labutei / descanso não encontrei / fartura também não achei), elas ficam lá sentadas, junto com a maldita que nunca morre e só serve pra remoer as emoções mais do que abaladas pela tragédica realidade que ali se passa.
Enquanto a maldita esperança arruma as trouxas para dali arredar o pé, uma mãe grita da porta, com seus olhos fundos, mas convictos, dizendo algo assim: "Vai não, esperança, fica! há vida no sertão. Os meninos me disseram que, embora a fome exista, há vontade de viver. Eu, que embora entristecida, fatigada e em farrapos, sei que se tu for embora, ai mesmo jeito não teremos!" no que diz a esperança: "Ora, mas não achas que só sirvo para iludir-vos?", no que, sem tempo, é objetada: "Nada disso, esperança! é contigo que, de manhãzinha, na minha reza a Santo Alguém, me apego com firmeza, olhando para o meu ontem, lembrando das aflições e olhando para o meu hoje, vendo pela janela que o Sol voltou de novo e acreditando que neste dia novo, as coisas podem dar certo e os meninos podem viver mais um bucado".
Cleison Brugger
A vida no sertão é difícil. Marias e Severinas com seus bacuris no colo, magrelos, famintos, com bicho do pé e barriga d'água. Sentadas na soleira ficam, esperando os Joãos e Josefos chegar. Embora a notícia de antemão se anuncia (por horas labutei / descanso não encontrei / fartura também não achei), elas ficam lá sentadas, junto com a maldita que nunca morre e só serve pra remoer as emoções mais do que abaladas pela tragédica realidade que ali se passa.
Ora, esperança, não vês que aqui não tens lugar? Olha ao teu redor, esperança, vês se há condições de, nesta cena, atuar? há crianças famintas, mães que choram, homens tristes e animais semi-mortos, e porque tu ainda vens, criando no coração dessa gente um sentimento de que "as coisas podem sim melhorar"?
Enquanto a maldita esperança arruma as trouxas para dali arredar o pé, uma mãe grita da porta, com seus olhos fundos, mas convictos, dizendo algo assim: "Vai não, esperança, fica! há vida no sertão. Os meninos me disseram que, embora a fome exista, há vontade de viver. Eu, que embora entristecida, fatigada e em farrapos, sei que se tu for embora, ai mesmo jeito não teremos!" no que diz a esperança: "Ora, mas não achas que só sirvo para iludir-vos?", no que, sem tempo, é objetada: "Nada disso, esperança! é contigo que, de manhãzinha, na minha reza a Santo Alguém, me apego com firmeza, olhando para o meu ontem, lembrando das aflições e olhando para o meu hoje, vendo pela janela que o Sol voltou de novo e acreditando que neste dia novo, as coisas podem dar certo e os meninos podem viver mais um bucado".
Cleison Brugger
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