Tudo o que pensamos, vivemos, sentimos, queremos.

15 de julho de 2011

Constatações.

Finalmente, agora é dia; entretanto, a noite já vem.
Finalmente, o Sol raiou; entretanto, a escuridão virá a flux.
Finalmente, o trem chegou; entretanto, já se prepara pra partir.
Finalmente, já cresci; entretanto, ainda brincam com os meus sentimentos.
Finalmente, maduro sou; entretanto, ainda rio com frivolidades.
Finalmente, escrevo poemas; no entanto, ainda penso trivialidades.
Finalmente, não choro por coisas; entretanto, choro por gente.
Finalmente, as flores nasceram; entretanto, virão estações outras e logo morrerão.
Finalmente, a vida é boa; entretanto, a vida passa.
Finalmente, um infante nasceu; entretanto, amanhã é velório de algum alguém.
Finalmente, certo momentos me inspiram; entretanto, certos detalhes me preocupam.
Finalmente, sou um homem dado à integridade; entretanto, surrupio beijos e abraços.
Finalmente, preciso terminar o poema; para tanto, preciso saber como fazer.
Entretanto, se pararmos pra pensar, veremos que o poema tem tantos "entretantos" que os "finalmentes" só viriam pra somar.

BRUGGER, Cleison.

7 de julho de 2011

Conúbio.

Chove lá fora. Aqui dentro, eu e meu amor. O frio, embora intenso, não consegue arrefecer o calor que o lembrar dela me traz. Nesta lembrança, penso voltar a ser infante e viver à puerícia. Ir lá fora, pegar tua mão e dançar um scherzo qualquer. Tu e teu vestido de bolinhas coloridas. Eu e minha vergonha de mostrar quem sou pra ti. Tu e tua pessoa introspecta. Eu e minha angústia de querer saber quem és.

Sabendo que queres ir comigo, te faço um convite um tanto atrevido: "Queres ver a chuva que lá fora cai?". Sem hesitar, sei que aceitarias. Não és moça de desfeitas. Aceitarias movida pelo teu ultraje com cara de ingenuidade.

Já lá fora sentindo da chuva, te convido pra uma dança qualquer. Embora eu saiba que não sabes dançar, te faço lembrar que ainda somos crianças e não precisamos ser mestres naquilo que fazemos. Querer fazer já basta.

Na intimidade da dança, a parte mais íntima do corpo é a cintura, e como é bom saber que só eu - e mais ninguém - é quem pode pegar nestas tuas finuras sem ter de ti um olhar rude. Sei que posso, pois me amas. Sei que devo, pois me queres. Sei que gostas, pois me aceitas. Neste ato, te tenho como minha. Minha posse. Meu latifúndio. Minha rainha.

Já tentando dançar qualquer coisa, tu percebes que o que há são mais do que passos de dança. Tu sabes que te quero - e quem disse que tu não me queres? sei que o teu coração está vibrante, teu sangue ferve e tua alma gélida está. Será a chuva? certamente que não. Até a chuva parou pra olhar a bela cena que se dá naquele quintal, no bairro Jardim Botânico, juntos aos pés de acerola, laranja e manacá.

Num impulso, volto à vida. Deixo a infância com suas lembranças para trás. Sei que não te tenho como antes, com vestidos de bolinhas - variados - ou com aquela face rosada, não obstante, olho para o lado e te tenho aqui, comigo, sorrindo, me amando. Te quis quando criança pra poder te ter agora. Agora que te tenho, o que restam são lembranças.

Cleison Brugger.

5 de julho de 2011

Morreu o assunto.

Como assim "morreu o assunto"? como ele pôde ter morrido, tão inesperadamente?
Sem dúvida, a culpa é tua, homem inconstante que não sabes o que é dialogar.
Que morra tu com tuas ideias nefastas, não o assunto. Que morra tu, com os teus pensares, não o pobre que nada fez, senão tentar resolver nossas discordâncias por meio do embate. Se não sabes o que é assuntar, ou ao menos não sabes que assuntos não morrem tão facilmente, julgo ser melhor para ti o silente silêncio. Não sabes tu, insolente homem, que assuntos não morrem tão facilmente e que discordar é bom pra saúde?
Assim, como então dizes: "morreu o assunto"? ele não pode morrer!
Não o desabone!
Traze-o a vida!
coloquemo-o em pauta!
[e respeite meus imperativos]
Pois se o tal morrer, morrerei eu, pois  pensar sem falar é alarido travestido de silêncio, e este, é prerrogativa infame dada apenas aos sem voz.

Cleison Brugger.